Ilustração por

Sobre contos e pespontos

Entre um conto e outro, alguns pespontos. Preciso dos pespontos para manter o principal equilibrado e firme. Preciso todo o tempo... Aprendi a pespontar quando a minha mãe me ensinou a fazer flores. Não, não se aprende a pespontar quando se faz flores. Essas apenas me lembram a minha mãe que me ensinou a pespontar os arranjos que a vida nos dá.



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

CONTOS DE LILY para aqui, sem data prevista para retorno

( Meu livro: Dolores Crônicas)


"Será fácil explicar a força dum tornado, a solidez duma gota de chuva? (...) – Talvez que alguns, os uns o possam afirmar que sim, os outros que não e ainda uns quantos nadas, como este, que não explicam, não sabem como explicar nem o pretendem: à escrita, à palavra que se faz vida, morte e ressurreição na sua escrita não se deve procurar pelo entendimento dos comuns… ou não fosse Suzana Guimarães um extraordinário e singular ser que em si já transportou a maternidade, esse princípio e encerrar de mundos, escritos e por escrever. A sua escrita não se explica; arrebata como só o acontece a quem domina as mais límpidas e violentas emoções dentro da mais ínfima das palavras. (...) nas palavras de Suzana Guimarães não existem jogos de espelhos, sombras artificiais, abrigos temporários – instigante e contundente, o tanto-quanto pura e delicada, Suzana Guimarães entrega-nos por este e neste livro que “é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive”, a vida, como todos os livros deveriam entregar… (...)". Por Breve Leonardo, em "Dolores Crônicas".

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

dOloreS CRÔNICAS

(Meu livro)

Meu livro está disponível no www.Amazon.com para e-books ou www.Lulu.com para livros impressos. E também no www.amazon.com.br



Nota: No Amazon.com e no Lulu.com há um retângulo no alto da página. Digita: Dolores Crônicas e clica em GO ou IR. E o livro irá aparecer.

Links diretos:

http://www.lulu.com/shop/suzana-guimar%C3%A3es/dolores-cr%C3%B4nicas/paperback/product-21441581.html

http://www.amazon.com/Dolores-Cr%C3%B4nicas-Portuguese-Edition-Meneghini-ebook/dp/B00ICC4C2K/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1392074561&sr=8-2&keywords=dolores+cronicas

http://www.amazon.com.br/s/ref=nb_sb_noss?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&url=search-alias%3Daps&field-keywords=dolores%20cronicas


Para quem não tem o kindle

No site do Amazon, onde você compra o livro virtual, também tem um ícone onde se pode baixar um app (aplicativo, software) GRÁTIS para o seu PC, Android, iPhone, iPad etc. Com esse App você pode ler o livro em seu aparelho eletrônico seja ele qual for com a maior facilidade e conforto!



domingo, 2 de fevereiro de 2014

"Sou todos os cantos em que seu machucado irá bater". Uma das crônicas do meu livro.

(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


Prometi uma surpresa para fevereiro, é meu livro de crônicas. Setenta crônicas, dentre elas, algumas já postadas nos meus blogs nos últimos três anos, porém, revisadas, e também inéditas. Será um E-book. O idealizador do projeto é Roberto Meneghini. Definimos que ele seria publicado assim que entrasse fevereiro, mas eu inventei de escrever um pouco mais... o que seria cinquenta virou setenta... um número, o sete, que, particularmente, detesto. Aí você pergunta: "Se detesta, por que assim será?". Também não gosto de ler no computador. E também dizia que eu só escreveria em papel e hoje só escrevo no meu laptop. Por que será? Porque a gente vai deixando de lado muitas tolices e vai aprendendo que o importante nem sempre vem rico em detalhes. Então, se ele for publicado em fevereiro, ainda estaremos no mês, não é? E ainda estou cometendo o pecado de revisar eu mesma... Beijo!



Suzana Guimarães

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

HASTA LA VISTA!


Suzana Guimarães (arquivo pessoal)


Vim correndo só para dizer, estarei ausente por todo o mês de janeiro, mas desta vez é por uma boa causa.
Tenho uma novidade para fevereiro.

Hasta la vista!

Suzana Guimarães

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Remorso




By scg


Qual é o tempo de um cigarro?
Eu mesma, longe da minha covardia, digo-lhe, é o tempo que vi
Talvez, de toda uma vida.

O que mata não foi todo o maço
O que mata é a lembrança de um só que perdi.



Suzana Guimarães

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Cheiro de flor e hortelã




Volta.

Olha novamente, sou eu mesma.

Perdão, precisei de tempo. Você pode imaginar? O tempo foi muito longo e tenebrosos os invernos, exaustivos todos os verões... nos outonos, eu perguntava aos céus e às folhas caídas por você. Volta de onde está, olha para mim, toda primavera, por mais sem flores, foi para você. 

Perdoa-me, foram muitos os chamados e muita a ânsia da certeza. Perdoa-me e volta. Por favor, pega aquele mesmo roteiro, espera em pé, perdido naquele ermo caminho sem fim, sob o calor do deserto, sob nossas inúmeras desconfianças... Saiba que é tudo e para mim, início e fim. 

Volta.

Retorna.

Liga o carro, busca-me.

Estou há tanto tempo esperando-o que acabei por duvidar de mim.

Volta, e amassaremos o campo de hortelã, menta, sempre-viva, tudo onde os deuses atônitos presenciaram nosso tão inacreditável esbarrão.

Venha, vamos rir deles. Vamos rir de nós.


Suzana Guimarães

sábado, 14 de dezembro de 2013

A Lista




O primeiro me subestimou.
O segundo teve medo.
O terceiro me acanhou.
O quarto, um criado-mudo.
O quinto provocava risos.
O sexto veio para eu esquecer.
O sétimo, calvo, calmo, parvo.
O oitavo foi o segundo que voltou.
O nono quase me conheceu.

Dispenso o primeiro, quero o último.
Rio do segundo.
O terceiro espera eu voltar, na mesa de um bar.
O quarto, provavelmente, ninguém mais espana.
O quinto afogou-se em seu próprio riso.
O sexto virou cartilha, esqueci.
O sétimo, onde?
O oitavo repete ano, não dá!
O nono chegou atrasado.

E o décimo?

Vai me beijar. 


Por Suzana Guimarães

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

UM FUTURO VIVIDO

Fotografia de Suzana Guimarães


Meus olhos estão molhados, de saudade do futuro que vivemos. Mais uma vez, escrevo para você e assim o farei, até o dia em que outras certezas pegarem-me de assalto, numa terça-feira qualquer, de um meio de mês qualquer, numa rua qualquer de um bairro no estrangeiro. Até o dia em que eu passar por outro alguém assim igual passei por você.

Lembra-se? Após anos, decidi mudar o trajeto, velho conhecido, e mudar de rua. Mudei de endereço num dia marcado para passar por você, que vinha andando, cabeça baixa. Eu, distraída. Você carregava cartas, escritas para alguém, mais tarde, bem mais tarde, descobri, você escrevia cartas porque queria ser só seu, mas sentia-se numa longa espera, por alguém que você nem sabia se apareceria e mesmo se existia.

Derrubei você e as cartas. Você ofereceu um chá, e, eu que não gosto de chá nem café, aceitei. Li as cartas em nossos setenta e sete dias, até o dia em que você pulou no primeiro vagão de trem e me deixou parada, perplexa e só, na estação.

A mesma estação onde permanece fechada, a casa. E ela? Não sei. Escrevo para dizer-lhe que ela agora nem mais é minha, também a abandonei, feito você. A nossa casa, que sequer pisamos nela, mas que muito bem a conhecemos, está lá, na beira daquela estrada, abaixo da linha férrea, tudo trancado, relógio parado, toalha no chão caída. Lá, eu não volto, apesar de que saí na noite passada, atrás de você, e, você em outra casa, fechado dentro dela, deixava a voz ecoar ao vento que chegou a mim e ouvi. Já sei. Você não quer.

Você não quer, então eu também não quero. Queremos pegar numa cadeira, sabendo que é uma cadeira, sentindo-a cadeira, queremos nos sentar nela, bem distantes a minha da sua, assim você quer e eu concordo, e queremos esperar os dias seguirem normais. Chega de corações saltando pela garganta, de noites mal dormidas, de cabelos arrepiando sem que ventos lhes tocassem, sem que pensamentos os eriçassem. Chega de sobressaltos, de tapas em palavras, de beijos surrealistas escorrendo por alças de blusas. Chega daquela coisa insana, de nossas e de tuas.

Você nem gritou adeus e arrancou da minha mão todas as cartas. Na hora, as portas se fecharam, a do trem e a da casa, aquela que sequer foi aberta! Nem chegamos lá, você partiu antes, aflito e medroso, sumiu. Eu corri lá, peguei a lembrança de tudo aquilo que compartilhamos, bati portas e janelas, num misto de ódio e ternura, peguei todos os sentimentos e os carreguei nas mãos enquanto ainda as queimavam... até que tudo se acalmou, e eu então guardei tudo, dentro de um botão de uma rosa branca, abri e fechei as folhas pétalas, perpétuas, igual fazia com as cartas, e decidi lhe escrever para dizer que, aquilo, eu vivi, você querendo ou não, e este é o seu castigo: a eterna lembrança de mim, que você não quer. Em mim, ficou tudo de si, mas você, eu nunca neguei. Em mim, janela ou porta, uma vez aberta, não fecha.


por Suzana Guimarães


Nota: texto originalmente publicado em 13 de dezembro de 2010, no Blog 'O Medo de Suzana'. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

aconteceu


um pouco antes do Sol, num dia ainda frio, ainda cinza, mas o gramado, verde; eles estiveram por lá, antes de mim, e as margaridas não poderiam ser mais brancas e nem mais amarelos, seus pistilos, o centro do dia marcado. 

assim, disseram os anjos, ao deixarem sobre a grama, um pouco de suas alvas asas, frágeis, frágeis... tal qual o momento em que o vi, leve, curto, mas tão intenso quanto os raios que castigam a pele esbranquiçada pela inércia da espera. 

ninguém viu quando a Terra firmou-se, concreta e parou. 

só eu, só eu girei. 

em torno de você.


Suzana Guimarães



domingo, 1 de dezembro de 2013

PARALISIA


by Suzana Guimarães




Sentados, estáticos.

Passou uma fila de formigas, ordeiro exército, elas derrubaram o açucareiro. Os olhos arregalaram-se. 

Um-quarto do meu corpo paralisou.

Passou um esquilo na janela, um galho de árvore dobrou-se seco e caiu... os olhos arregalaram-se. 

Mais dois-quartos...

Vento passou pelas frestas nas juntas das janelas, o cupim arrotou.

Meu corpo todo gelou, estarrecido

Vi então um enorme elefante atravessando a loja de cristais.




E eles, parados, com os olhos arregalados.


Por Suzana Guimarães

domingo, 17 de novembro de 2013

E fica você aí, sorrindo para mim...



E fica você aí, sorrindo para mim, homem dos dias que espero, dias cinzas. Você não sabe, mas por aquela porta pensei inúmeras vezes não passar, nem naquele terreno assentar, nem em seus cabelos bolinar. Dos dias que espero, ninguém nada sabe, seria a terceira noite, e uma certa bruxa velha sorriria. Todos sorririam, seria festa, mas eu não quero. Convidaram-me para sete casamentos, enviaram uma chave, cor marfim, endereçada a mim, hesitei, hesitei, para enfim guardá-la... pela força do hábito, pela constância da busca, por minha eterna insensatez.

E fica você aí, sorrindo para mim, homem dos dias que me ganham, cinzas. 

Mas, é tarde, cansei dos intensos matizes, das bromélias imortais, dos pássaros que decoram o itinerário. O sopro das minhas tolas vontades abrasou a terra seca e também aquele país úmido e cálido. Queimou-se a última tocha, até o fim. Eu sei, fiquei lá para ver, para ter certeza. Sobrou um monte de cinzas, de um outro tipo, que me desgosta, que me retira do caminho.

E fica você aí, sorrindo para mim, em cima dessas cinzas. 


Por Suzana Guimarães

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Se um dia você vier



Raíssa Medeiros

Se um dia você vier, avisa antes. Não fala nada, mas não deixa de olhar em meus olhos se há ainda algum amor. Mesmo que não mais veja o tanto que viu antes, fica. Não faça alarde sobre nada e nem faça segredo. Caminha suave, e não me dá notícias de seus dias. 

Aproxima-se e diz que se perdeu pelo caminho. 

Se um dia você vier, venha manso, falando baixinho, como se cochichasse num casamento em um templo. Diz que se arrependeu de ter me deixado por tanto tempo esperando-o. Diz que sou sua e que você sempre foi meu.

Aproxima-se como se tivéssemos nos visto, ontem. Não se esqueça de prestar atenção em meu olhar, curva-se, se preciso for, só para ver, para constar, para ter frágil certeza.

Se um dia você vier, eu lhe direi toda a minha mágoa, sem pronunciar uma palavra. Direi do meu cansaço e apontarei as portas que nunca mais abri.

Se um dia você vier, procura por mim, que sempre estive ao lado seu.


Por Suzana Guimarães.



sábado, 2 de novembro de 2013

A única coisa que você me deixou...

(Suzana Guimarães - arquivo pessoal)

A única coisa que você me deixou foi a eterna lembrança em algumas músicas... Não foram apenas duas ou três fotografias, nem seu olhar, sua altura inatingível, sequer os poemas feitos nas madrugadas perdidas ou suas homeopáticas doses de compreensão. Não foi a memória de seu corpo bem trabalhado, nem a tatuagem em forma de asas, muito menos a sua verborragia. Não foi a excitação deixada por sua barba ou o irresistível cavanhaque, muito menos, sua docilidade, nem os ventos calmos ou turbulentos que passavam entre mim e você. Não foram seus e-mails e nem seus profundos silêncios... suas respostas às vezes rápidas, às vezes, frágeis.

Não foram duas ou três fotografias, foi mesmo amor, e uma casa se montou em cores de recomeço, eterno recomeçar.

Não foram duas ou três fotografias, e outra casa voltou ao mofo e ao jogo, quem dá menos?

Não foram duas ou três fotografias e o tempo que contou, a cumplicidade e o reflexo.

A única coisa que você me deixou foi um pouco de você no conjunto das coisas dos outros.


Por Suzana Guimarães 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

PA-LA-VRAS



A música diz "há palavras que nos beijam"... 

Até parece que só beijam... elas apalpam, seguram, agarram, eternizam-se, viram repetição na cabeça e rio caudaloso interno que não sossega. Aquelas palavras permanecem e eu cuido para que sobrevivam, palavras chaves, se carregadas de falsidade, se mentirosas, se enganosas, se equivocadas, não importa, para mim, pouca coisa anda importando, feliz de mim que ainda posso ouvir o cadeado fechando-se, prendendo. Mal sei quantas foram, não contei, ouvi, fingi que não ouvi, nem sorri, mas eu estava ocupada, muito ocupada, guardando, gravando, questionando, ah, questionando, seria delírio? 

Diz, vai, diz, repete, repete, vamos à exaustão igual à dança, à luta, à conquista de uma terra nova e desconhecida. 


Por Suzana Guimarães

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

POUCA COISA



Lara Amara



O pó do deserto ventou sobre as transparentes águas, cristalinas, cristalinas, refletidas 

do lago imaginário...

Pouco pó, pouco vento, pouco. 

Num deserto, pouco é fatal, a gota pouca que faltou, a pouca sombra que se fez, a dação do pouco num mundo gigante, num delírio enorme. 

Pouco.


Deixo um espaço, para desenhar esse tamanho...


Pouco.


Por Suzana Guimarães

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Rol de camisinhas




Ela deveria fazer um rol. A minha avó fazia, de roupas, para a lavadeira levar para casa e lavar. Sentada no sofá, eu achava aquilo uma das coisas mais belas do mundo. Lençóis de linho branco, bordados, jogados no chão, contados e recontados, montados numa grande pilha, embrulhados em um maior e com nó. A mulher assentava aquilo no alto da cabeça e ia. Voltava dias depois, entregava a trouxa e minha vó, sozinha, contava e recontava.

A moça conta as camisinhas*, conta e reconta, questiona, falta uma. Arranha os dentes. Será que ele escapuliu? Investiga a sua própria agenda, pois ela conta tudo em papéis, rabiscos pequenos, em letra pequena, ainda não foi dia da trepada. A moça questiona. Ele dá de ombros. Queria dar outras coisas, queria nunca mais ouvir falar em contas, queria deixar a sonsa. 

Ela dá um respiro, pequeno ar que solta, vai ao terreiro, dá um grão para cada animal no chão, dá um gole para cada flor que ainda não se colhe. 

Ela deveria fazer um rol...


Por Suzana Guimarães


* preservativo (também conhecido como camisinha no Brasil) é um método contraceptivo do tipo barreira.

sábado, 31 de agosto de 2013

SOBRE OS DIÁRIOS


Os diários foram transportados para o seguinte endereço:
Espero vocês lá!
Suzana Guimarães, a Lily

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Meus olhos ardem. Minha garganta arde. Ontem, bateu em mim um incômodo geral, como se eu estivesse adoecendo. Passei a noite virando-me na cama, procurando a melhor posição. Tentativas tolas. Embaraços são nós que nunca desatam.


Agosto, 27

Eu disse algo sobre diários?

Suzana Guimarães