| (arquivo pessoal de Suzana Guimarães) |
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
ORAÇÃO
Deus, afasta de mim quem mente sobre coisas importantes porque as pequenas eu até relevo. Afasta de mim quem não gosta das minhas palavras porque se eu espetei fundo é porque antes espetaram-me, ou aos meus, e eu não sou anjo ou santo para dar a outra face. Deus, afasta de mim quem não sabe o que quer e do ambicioso em demasia. Afasta de mim quem reclama diariamente do pão que está comendo, do trabalho que tem, da vida que leva, sendo que tudo é resultado de cada passo dado e em sã consciência. Deus afasta de mim quem usa pessoas. Deus dá uma luz, que seja fresta fina na noite escura a passar pelos vãos das portas e janelas fechadas, mas dá porque é nojento ser humano.
Suzana Guimarães
(Publicado anteriormente no Facebook e em meu outro blog - clica aqui!)
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Um poema de B. Leonardo, Portugal, 2010.
| (arquivo pessoal de Suzana Guimarães) |
...
"Fica o tempo que entenderes.
Espalha por aí as tuas bagagens,
as páginas meio desfolhadas
as brasas mal ardidas
nos teus livros mal tratados,
que tarde ou cedo se haverão de misturar com os meus.
Fica
dorme onde quiseres,
no sofá
na cozinha
na cama onde já tentei adormecer muitas noites,
e entretanto, desisti.
Prefiro as ruas que amanhecem desertas."
Despojo,
Novembro 2010, 20
bL
terça-feira, 6 de outubro de 2015
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
Sobre aquele dia
| (imagem, SCG) |
Naquela manhã choveu flores em meu carro. Voltei ao supermercado porque havia esquecido de comprar metade da lista. Queria deixar isso bem esclarecido. Não existe acaso. Existe obra. A quem pertence? Não sei. Fiz as compras demoradamente porque bateu cansaço psicológico e até falei para o cara atrás de mim na fila, que carregava uma única coisa, que passasse na minha frente. Ele disse não. Mesmo assim, atrasei o tempo ao colocar as compras no carro como se montasse uma vitrine de loja. Depois bebi uma garrafa de água mineral. Ao sair do estacionamento, preferi o caminho mais longo. Foi aí que virei à direita e vi você.
Eu gostaria apenas de esclarecer para mim mesma, e para isso deixo aqui firmado. Foi a partir daquele momento - e não outro! - que eu passei a sentir ondulações.
Venho desconhecendo-me. Falei errado o último nome do meu filho para a atendente da farmácia que nos conhece há anos. Ela bem que insistiu, mas eu não dei folga: soletrei inúmeras vezes o segundo nome dele como se fosse o último e finquei o pé. Só depois, bons minutos depois, um raio de luz desenhou no ar seu último nome e eu então voltei à fila. Marquei um compromisso ao telefone. Minutos depois, enviei inúmeras mensagens para a pessoa, confirmando desesperada - e imaginando que ela de nada ainda soubesse - a minha ida. Depois a pessoa questionou aquelas mensagens... eu já havia dito ao telefone que iria...
Sinto ondulações. Eu não esperava reencontrar você às 11h de um dia qualquer, passando a pé, eu, de carro; eu não esperava gritar tanto para você me ouvir, parar o carro, caminhar tão decidida e ficar agora com a lembrança de duas lágrimas penduradas em seus olhos.
Eu não sabia que anjo anda a pé. Eu não sabia que anjo enfraquece. Eu não sabia que a gente encontra quem a gente tem que encontrar. E, inclusive, reencontra.
Choveu flores naquele dia. Lotei-me de indagações, superstições, e penso estar até tendo alucinações. Mas, eu sei, choveu flores naquele dia.
Suzana Guimarães
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Cinza
| (por SCG) |
Faço perguntas como se esperasse respostas, como se já não as soubesse. Faço perguntas para quebrar minhas próprias estruturas, para alcançar outros voos. Gosto da solidão da águia, mas há mais beleza nos grupos. Hoje, pela manhã, pássaros desconhecidos cruzaram os céus e iluminaram meus olhos desbotados.
Hoje, pela manhã, percebi que meu tom cinza - de névoa, de véu e sacristia - faz par perfeito com seus olhos de enigma.
Suzana Guimarães
domingo, 27 de setembro de 2015
sábado, 5 de setembro de 2015
domingo, 2 de agosto de 2015
" (...) Ah, afundado
Num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono,
Irrequieto tão sossegadamente,
Tão análogo de repente à criança que fui outrora
Quando brincava na quinta e não sabia álgebra,
Nem as outras álgebras com x e y's de sentimento.
Ah, todo eu anseio
Por esse momento sem importância nenhuma
Na minha vida,
Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos —
Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma,
Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o compreender (...)"
Num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono,
Irrequieto tão sossegadamente,
Tão análogo de repente à criança que fui outrora
Quando brincava na quinta e não sabia álgebra,
Nem as outras álgebras com x e y's de sentimento.
Ah, todo eu anseio
Por esse momento sem importância nenhuma
Na minha vida,
Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos —
Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma,
Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o compreender (...)"
Trecho de um poema de Álvaro de Campos.
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Quase pouco...
| by suzana guimarães |
E hoje sou feliz e nem tanto. Desconheço bipolaridades, tudo é e ao mesmo tempo não, quase no mesmo instante um quase dia de diferença que nunca completará as horas porque a cada hora sou feliz e triste. Sou rei de um único principado e nele só há um rio que nunca levará n`algum oceano e ele e eu somos um só quando mergulho em suas águas e me vejo tão rei e tão nu... porque hoje sou feliz e nem tanto e nenhum homem pode me deter e me matar, mas uma única criança é capaz de levar consigo todas as minhas riquezas, meus tesouros escondidos, e, debochada, me avistar ao longe, e me acenar de longe, satisfeita por poder me matar, só ela e nada mais e mais ninguém.
E hoje sou feliz e nem tanto. Desconheço bipolaridades, tudo é e ao mesmo tempo não, quase no mesmo instante um quase dia de diferença que nunca completará as horas porque a cada hora sou feliz e triste. Sou rei de um único principado e nele só há um rio que nunca levará n`algum oceano e ele e eu somos um só quando mergulho em suas águas e me vejo tão rei e tão nu... porque hoje sou feliz e nem tanto e nenhum homem pode me deter e me matar, mas uma única criança é capaz de levar consigo todas as minhas riquezas, meus tesouros escondidos, e, debochada, me avistar ao longe, e me acenar de longe, satisfeita por poder me matar, só ela e nada mais e mais ninguém.
A vida de um rei que tem um único principado desenhado num mapa de desvios e atalhos, cortado pelo único e estéril rio - esse, que nunca porém o iludirá, pois é só isso e é tudo -, onde linhas divisórias são quase nulas, mas segredam o desejo do desespero: atirar-se do alto é o sonho desse rei que sou eu e que leva consigo uma criança que pode matar.
Ó caminhos desvairados! Ó vida rica de pobrezas, eu sempre serei assim, feliz um tanto e ardida noutro?
Nunca desejei esse reino, o rio, e a criança. Nunca desejei ser eu. Sonhei com voos silenciosos, insignificantes, que ninguém vê, que ninguém quer, que ninguém aspira. Sonhei apenas em ser ínfima!
Suzana Guimarães
sexta-feira, 6 de março de 2015
Uma carta que o mar acolheu
Los Angeles, 6 de março de 2008.
Querido,
Hoje, parei para ver o mar. Pensei em olhá-lo de longe, de dentro do carro, mas estou vendo tanta coisa e tantas pessoas a anos-luz de mim, que, dar uns passos, caminhar até o pier só poderá acrescentar, aliviar. O mar estava de um azul de primavera, silencioso a me dizer que ontem e hoje parece o mesmo, mas há greve no porto e o mar enfeitado de navios parados indica que a vida corre mesmo na mais óbvia das ausências...
Olho acima, no cabeçalho desta carta, escrevi 2008, vou deixar, mas estamos em 2015, com certeza! Foi nessa data que eu senti o beijo doce daquela senhora que nos leva para outros planos... eu já lhe disse? Talvez, sim, talvez, não... a gente se gasta em falatórios e silêncios inúteis como se a vida fosse eterna... Há sete anos, eu a vi, ela me tocou e se foi, disse que eu ainda tinha tempo. Ah, tempo! Não sei mais o que é isso. Só sei de mim, um corpo em frente ao mar, sobrevivente, duro, quase seco. Se secar, quebra e acaba, por isso, o desejo constante de inundações.
Olho acima, no cabeçalho desta carta, escrevi 2008, vou deixar, mas estamos em 2015, com certeza! Foi nessa data que eu senti o beijo doce daquela senhora que nos leva para outros planos... eu já lhe disse? Talvez, sim, talvez, não... a gente se gasta em falatórios e silêncios inúteis como se a vida fosse eterna... Há sete anos, eu a vi, ela me tocou e se foi, disse que eu ainda tinha tempo. Ah, tempo! Não sei mais o que é isso. Só sei de mim, um corpo em frente ao mar, sobrevivente, duro, quase seco. Se secar, quebra e acaba, por isso, o desejo constante de inundações.
Talvez eu tenha partido com a senhora de vestes longas, sem olhos, apenas tato... Ficou um fantasma de mim, brincando de ser gente. Talvez, eu esteja enganando todos vocês, e já não mais esteja aqui. Fui e você nem viu. Mas, queria lhe dizer e por isso, escrevo-lhe: se eu soubesse que você se tornaria mais forte que o tempo, que eu iria sentir tanto a sua falta, eu teria aproveitado-o, usado-o e abusado em ânsia, como se fosse todo dia a última vez. Eu não sabia. Eu sabia que gostava de tê-lo por perto, por isso eu inventava encontros casuais.
Agora, não há mais nada. E nem quero. Não posso mais regressar ao passado, mesmo sendo esse fantasma que lhe escreve. Tudo mudou, talvez, você também, talvez a vida tenha lhe socado tanto que você chegou a sonhar com a tal senhora e chamar por ela...
Porém, você permanece insistentemente. Eu odeio onde você vive, apesar de amá-lo. Só que continuo aí porque sonho com você. Continuo sonhando, não digo nada porque não quero. Provavelmente não é importante para você, também tem isso. Mas eu continuo sonhando e eu não controlo isso, nem sei se é possível controlar sonhos.
Se eu soubesse, teria feito tudo diferente. Gastaria bastante até cansar, esgotar e enjoar. Eu deveria ter me enjoado de você. E hoje, aqui, em frente ao mar, eu seria mais leveza.
Eu que sempre soube e sei de tudo, não soube de mim mesma, muito menos de você. Precisou a distância para eu enxergar. Irônico isso. Quanto mais distante, mais nítida a visão?
Como é que alguém pode derrubar tanta gente? Até o tempo? Olho para o mar e conto-o, provavelmente o tempo só serve para ser contado.
Olho para mim e vejo estampado em papel de seda, tão frágil e leve, tão promessa, vejo o fantasma que é você a me assombrar a cada inverno e primavera. Vejo o mar, vejo o nada. Vejo que os navios, qualquer dia destes, irão zarpar.
Beijos,
Suzana
Por Suzana Guimarães, Lily.
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Anjos pela Terra...
![]() |
| (fotografia: Suzana Guimarães - novembro de 2014) |
Naqueles dias, não sei se é sempre, mas, naqueles dias, ela ficava iluminada por toda a noite.
Você caminhava ao meu lado em absoluto silêncio. Éramos um mundo obscuro, iluminado somente quando todos os pássaros adormeciam. Caía neve e meus sonhos ao chão. Você os catava, mão a mão, juntava-os sem que eu soubesse... e foram três noites dentre mil tantas outras, naquela cidade, naquela ponte onde passei segurando meu coração, naquele templo sigiloso entre calçadas frias e escorregadias. Do alto, de onde eu o via, partindo antes que amanhecesse e todas as luzes se apagassem, eu o desenhei, guardei meus sonhos que você catou, jurei para sempre. Estendi meu braço, estendi minha mão, pedi que voltasse... Mas, anjo sem asa não voa para onde quer, percorre os caminhos dos homens e você se foi.
Restou uma cidade que se acendia naquelas noites, meu perfume à sua espera e um molhado nos olhos parecendo teimosia. Restou silêncio absoluto e a certeza de que nunca mais contarei histórias, nem sonharei aqueles nossos sonhos, e nunca mais poderei acreditar... simplesmente porque tudo aquilo foi nosso e antes, entre um amanhecer e outro, a vida, bolha de ilusão, tocou meu rosto, escorreu pelas minhas pernas que ainda ardiam da pressão das suas, e a lembrança de seu cheiro - que só eu soube -, entre um olá e um mudo adeus, eu o perdi.
Suzana Guimarães
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
domingo, 24 de agosto de 2014
E, então...
Novamente, venho para dizer que este espaço ficará por algum tempo inativo. Estou escrevendo o meu segundo livro e tudo o que chegar em mim será material para ele. Enfim, irei hibernar.
Obrigada a todos pela leitura.
domingo, 10 de agosto de 2014
Ser pedra não pode ser de todo ruim
| (arquivo pessoal de Suzana Guimarães) |
Porque doem os olhos a visão parca do lampião. E onde pousam esses olhos? Já nem mais sei. São tantos os convites e muito pouca a luz. Caminho meio que embriagada de tanta gente. Em cada uma, menos luz em mim, mais visão. E essa trilha parece não ter fim. Sonho então em voltar pedra. Ser pedra não pode ser de todo ruim. Há tanta gente. Há tanta pedra. Saberei escolher da próxima vez. Uma pedra de algum rochedo, bem distante de qualquer povoado, onde somente passam alguns pequenos animais que em mim, pedra, urinam e coçam suas costas. Melhor que ser gente. Com certeza. Meus olhos pousam nessa ideia, a de ser pedra. Pedras têm poder, rolam para onde querem ou se perfilam eternas. E possuem a visão ampla de um todo que desprezam conhecer. Noite ou dia, tanto faz. Sendo pedra, não perderei nada, nem fuligem, muito menos luz.
Terei luz que em mim, pedra, tocar, nos dias sem chuvas. Porque doem os olhos a visão parca do lampião.
Por Suzana Guimarães
Nota: Para Francisco Santos e Maria Socorro de Araújo Lopes.
domingo, 27 de julho de 2014
Quando dei por mim
Para Franck
Quando dei por mim, já não fazia importância todo o meu gostar por você, simplesmente porque ele era meu, e, assim sendo, eu não dependia mais de si, apenas de mim, para deixá-lo num canto; todo aquele gostar.
Quando dei por mim, aquele imenso amar transformou-se no vazio oco da última chupada no canudo de plástico, quando não há mais suco. Ou houve suco, mas imaginei ser grenadine pura, não líquido insosso.
Quando dei por mim, todos os homens eram os mesmos e mesmos todos os nomes. E eu não mais o distinguia.
Todo aquele gostar era cisma, vontade de mudar o calendário e sua ordem dita e também todas as horas e eu e o mundo, principalmente eu, isso é, vontade de transformar a mim mesma, em qualquer coisa além de ser sempre a mesma, jamais previsível, mas intensamente mutável, porém, bailarina da caixa de música. Sem roteiro, sem programa, sem um caminho, uma trilha.
Quando dei por mim, mal nenhum lhe fiz. Só a mim. Bem ou mal, somente um empurrão, leve toque na figura de rosa, rodopiando naqueles eternos bandolins. Leve empurrão, ela, ao chão.
Quando dei por mim, criei fé extra: a música para, no entanto, o mesmo leve toque pode rodar a manivela vezes infinitas...
Quando dei por mim, percebi que amor é pra morrer, no nascimento ou de velho; mas, a música, não.
Por Suzana Guimarães
segunda-feira, 21 de julho de 2014
No dia em que o senti como fenda aberta e eterna, no dia em que descobri a perda, tornei-me para o mundo múmia. Mumificada, atada, encoberta, vi diante de meus olhos sempre abertos - saiba, é preciso que saiba, quem morre de fome não fecha os olhos - o tempo passando. E ele passou, passaram-se minutos, horas, anos, um sem fim de vidas, um sem fim de nãos, mas eu não cedi. Continuei. Mumificada.
Mimetizei-me ao mundo que não o entregava a mim. Tornei-me parte dele, por vezes, feliz, por vezes, rancorosa. Mas, fiquei.
Levantar-me-ei, porém, e venho para dizer-lhe isto: esta é a sua última visão. Fica com ela, que sou eu. Guarda-a porque sou eu. Mas, será o último olhar. Amanhã, uma revoada de pássaros beliscará meus cabelos sempre presos e eu partirei, laçada pelo desejo de ser só, porém, ser livre.
Cansou-me a espera. Desataram-se os nós. Soltou-se a última das amarras, caiu por terra um amor mumificado, sempre à espera, angustiado por não saber. Iludido por acreditar. Convencido que o tempo contaria a favor...
Minha efemeridade, meu amor, gritou mais alto.
Por Suzana Guimarães
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Sobre o meu tempo
| (arquivo pessoal de Suzana Guimarães) |
Eu não tenho tempo, que bom que eu não tenho tempo. Eu o faço, todos os dias, porque todos os dias coisinhas me chamam, gritam, clamam por mim. Não tenho alguém para me ajudar - ou, melhor seria, fazer por mim - nas tarefas cotidianas, rotineiras, rasteiras... Tenho dois filhos em idades muito distintas e um é adolescente; o outro é criança ainda. São de sexos e temperamentos diferentes; um é pacífico, é fim de tarde ou manhã solitária na beira da praia; a outra é um vulcão em atividade, bruxinha faceira que ri de mim e me dá nó. Eu não tenho tempo, eu o faço por mim, e nesse movimento, vivo a me perder, perder de mim mesma, contudo, essa perda é fantástica, melhor que embriaguez leve. Eu não tenho tempo porque não o acumulo com coisas que emperram - porque eu tenho pressa - e por sentir algum remorso e necessidade de tampá-las a todo instante. Ou porque vivo a desviar da seta apontada.
Eu não tenho tempo porque tenho a mim e carrego dois, prazerosamente. Eu não tenho tempo porque as pessoas já não podem mais me iludir ou manipular-me.
Esse tempo, que invento, que é meu, eu o gasto, muito de vez em quando, escrevendo. Eu escrevo porque descobri que decidi viver sozinha, bem escondida, e soltar-me também, claro, aos ventos, ao momento, mas eu misturei tudo. Sou um livro aberto, qualquer um pode me ler, porém, sou um livro sem índice, sem ordem, sem começo, meio e fim, que não lhe dá a chance de distinguir realidade de ficção.
Tudo, simplesmente, porque eu passei a não ter tempo...
Por Suzana Guimarães
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