quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
"All those moments will be lost in time, like tears in rain."(Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva).
"Momentos antes de morrer, o replicante Roy Batty (no filme Blade Runner) disse a Deckard enquanto chovia: All those moments will be lost in time, like tears in rain (Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva)."
A importância tem tanta importância quanto as lágrimas na chuva...
A importância tem tanta importância quanto as lágrimas na chuva...
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
So...
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Claro como um dia
| (arquivo pessoal Suzana Guimarães) |
Eu vi um lago em um dia claro e vi o mundo que o circundava. Vi aves altíssimas, formosas e claras, assim como era a vida que eu sempre via... Eu vi as areias macias e pegadas antigas, onde brilhava a luz do sol abrangente, ardoroso, assim como era meu olhar por sobre a vida. Aquosa. Audaciosa.
Eu vi um homem parado que admirava o lago, o mundo, as aves altíssimas enquanto rolava nos dedos as areias macias, quase virgens, quase claras, alheias aos passos mal dados...
Eu vi um lago ou um homem em um dia claro?
De fato, eu nada via pois manhosa era a minha vida, saudosa de qualquer prévia partida.
O que o homem não via era o lago que de mim se emergia noutros lagos, rápidos atrás da desembocadura...
Onde nunca voou ave alguma.
Por Suzana Guimarães
sábado, 26 de dezembro de 2015
Geografia de mim
E foram surgindo caminhos estreitos, obscuros, estranhos; becos sem aparentes saídas, vielas sem luz... às vezes, pátios ensolarados onde sempre cantou uma única ave que carinhosamente chamava-me de bem... e também momentos de voos, asas abertas, coração acelerado em direção ao alto; comunhão com os astros... e foram surgindo dúvidas sobre mim, crescendo mudanças rápidas em meus movimentos (num corpo embora cansado e velho), e todos foram se perdendo daquilo que seria a verdade...
Porque hoje sou objeto metamorfoseado.
E foram tantas as mãos que moldaram esta para mim carcaça que por pouco, muito pouco, eu não saberia mais o correto endereço.
Por Suzana Guimarães
Para Cilnéia Felippe
Para Cilnéia Felippe
domingo, 13 de dezembro de 2015
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
Ele era cinza - como deve ser um intróito.
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| (fotografia por Suzana Guimarães) |
Foi denominado monstro só porque era gigante e cinza e pela forma decidida de agir, mas nem sempre usamos as melhores nomeações... Sei que acordou - ou foi revelado, mostrou-se - no meio de uma tarde. Nem sei qual delas, nem a hora precisa. Tudo isso não importa.
Vale saber - ou ter a consciência - que ele existe, apareceu, mostou-se e a partir de então nada mais ficou no lugar. Sabe aquelas coisas bonitas que ficam em destaque, imóveis, simpáticas, satisfatórias? (Dentro do melhor dos conformes - não que não tivesse existido sempre um certo rumor ao redor - parecendo ou podendo agradar?). Mas, ele se revelou e agitou as coisas à sua volta - ele permaneceu o mesmo, embora poucos saibam - tal qual um terremoto quando passa.
Objetos inanimados moveram-se, deixaram seus postos! Xícaras, pratos, o lustre pendurado no teto. E, certamente, claro, a relação dele - do monstro - com o mundo que o detinha.
O pior, a relação dele com os outros.
Por Suzana Guimarães
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
ORAÇÃO
| (arquivo pessoal de Suzana Guimarães) |
Deus, afasta de mim quem mente sobre coisas importantes porque as pequenas eu até relevo. Afasta de mim quem não gosta das minhas palavras porque se eu espetei fundo é porque antes espetaram-me, ou aos meus, e eu não sou anjo ou santo para dar a outra face. Deus, afasta de mim quem não sabe o que quer e do ambicioso em demasia. Afasta de mim quem reclama diariamente do pão que está comendo, do trabalho que tem, da vida que leva, sendo que tudo é resultado de cada passo dado e em sã consciência. Deus afasta de mim quem usa pessoas. Deus dá uma luz, que seja fresta fina na noite escura a passar pelos vãos das portas e janelas fechadas, mas dá porque é nojento ser humano.
Suzana Guimarães
(Publicado anteriormente no Facebook e em meu outro blog - clica aqui!)
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Um poema de B. Leonardo, Portugal, 2010.
| (arquivo pessoal de Suzana Guimarães) |
...
"Fica o tempo que entenderes.
Espalha por aí as tuas bagagens,
as páginas meio desfolhadas
as brasas mal ardidas
nos teus livros mal tratados,
que tarde ou cedo se haverão de misturar com os meus.
Fica
dorme onde quiseres,
no sofá
na cozinha
na cama onde já tentei adormecer muitas noites,
e entretanto, desisti.
Prefiro as ruas que amanhecem desertas."
Despojo,
Novembro 2010, 20
bL
terça-feira, 6 de outubro de 2015
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
Sobre aquele dia
| (imagem, SCG) |
Naquela manhã choveu flores em meu carro. Voltei ao supermercado porque havia esquecido de comprar metade da lista. Queria deixar isso bem esclarecido. Não existe acaso. Existe obra. A quem pertence? Não sei. Fiz as compras demoradamente porque bateu cansaço psicológico e até falei para o cara atrás de mim na fila, que carregava uma única coisa, que passasse na minha frente. Ele disse não. Mesmo assim, atrasei o tempo ao colocar as compras no carro como se montasse uma vitrine de loja. Depois bebi uma garrafa de água mineral. Ao sair do estacionamento, preferi o caminho mais longo. Foi aí que virei à direita e vi você.
Eu gostaria apenas de esclarecer para mim mesma, e para isso deixo aqui firmado. Foi a partir daquele momento - e não outro! - que eu passei a sentir ondulações.
Venho desconhecendo-me. Falei errado o último nome do meu filho para a atendente da farmácia que nos conhece há anos. Ela bem que insistiu, mas eu não dei folga: soletrei inúmeras vezes o segundo nome dele como se fosse o último e finquei o pé. Só depois, bons minutos depois, um raio de luz desenhou no ar seu último nome e eu então voltei à fila. Marquei um compromisso ao telefone. Minutos depois, enviei inúmeras mensagens para a pessoa, confirmando desesperada - e imaginando que ela de nada ainda soubesse - a minha ida. Depois a pessoa questionou aquelas mensagens... eu já havia dito ao telefone que iria...
Sinto ondulações. Eu não esperava reencontrar você às 11h de um dia qualquer, passando a pé, eu, de carro; eu não esperava gritar tanto para você me ouvir, parar o carro, caminhar tão decidida e ficar agora com a lembrança de duas lágrimas penduradas em seus olhos.
Eu não sabia que anjo anda a pé. Eu não sabia que anjo enfraquece. Eu não sabia que a gente encontra quem a gente tem que encontrar. E, inclusive, reencontra.
Choveu flores naquele dia. Lotei-me de indagações, superstições, e penso estar até tendo alucinações. Mas, eu sei, choveu flores naquele dia.
Suzana Guimarães
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Cinza
| (por SCG) |
Faço perguntas como se esperasse respostas, como se já não as soubesse. Faço perguntas para quebrar minhas próprias estruturas, para alcançar outros voos. Gosto da solidão da águia, mas há mais beleza nos grupos. Hoje, pela manhã, pássaros desconhecidos cruzaram os céus e iluminaram meus olhos desbotados.
Hoje, pela manhã, percebi que meu tom cinza - de névoa, de véu e sacristia - faz par perfeito com seus olhos de enigma.
Suzana Guimarães
domingo, 27 de setembro de 2015
sábado, 5 de setembro de 2015
domingo, 2 de agosto de 2015
" (...) Ah, afundado
Num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono,
Irrequieto tão sossegadamente,
Tão análogo de repente à criança que fui outrora
Quando brincava na quinta e não sabia álgebra,
Nem as outras álgebras com x e y's de sentimento.
Ah, todo eu anseio
Por esse momento sem importância nenhuma
Na minha vida,
Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos —
Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma,
Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o compreender (...)"
Num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono,
Irrequieto tão sossegadamente,
Tão análogo de repente à criança que fui outrora
Quando brincava na quinta e não sabia álgebra,
Nem as outras álgebras com x e y's de sentimento.
Ah, todo eu anseio
Por esse momento sem importância nenhuma
Na minha vida,
Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos —
Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma,
Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o compreender (...)"
Trecho de um poema de Álvaro de Campos.
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