Ilustração por

Sobre contos e pespontos

Entre um conto e outro, alguns pespontos. Preciso dos pespontos para manter o principal equilibrado e firme. Preciso todo o tempo... Aprendi a pespontar quando a minha mãe me ensinou a fazer flores. Não, não se aprende a pespontar quando se faz flores. Essas apenas me lembram a minha mãe que me ensinou a pespontar os arranjos que a vida nos dá.



segunda-feira, 6 de junho de 2016

Mayhem in the streets Romeo and Juliet Revised






High School English Project. Zero Budget! Street English!
It was done in so little time.
Good job, guys!

Trabalho escolar. Nenhum recurso. Tempo escasso. Muita boa vontade.
Inglês cheio de gírias porque foi exigido trocar uma cena de Romeu & Julieta do Inglês formal e antigo para os dias atuais.

sábado, 23 de abril de 2016

(...) Com o passar do tempo e eu nem sei explicar o motivo exato que me levou a isto, ou mesmo, os motivos; com o passar dos anos, e o Sol castigando minhas ideias neste deserto cruel - mas, florido -, esturricando minhas vísceras, meus pulmões já traumatizados; com o passar do tempo cegando meus olhos, eu acreditei que ele viria rei, rei calçando chinelas - sim, chinelas, daquelas que fazem barulho no chão plaf-plaf -, dentro de bermudas velhas e camisetas de propaganda. E então, eu passei a enxergar o mundo masculino assim, chinelas plaf-plaf. Nunca mais, nunca mais os ternos, as belas camisas, algum charme. E meus vestidos seriam para sempre a vírgula mal colocada.
Com o passar do tempo, mimetizei-me (...).

(Suzana Guimarães)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Um cílio de um milagre

por Suzana Guimarães 


Abriu-se um céu, um infinito de estrelas; perfeitas! Abriu em mim uma clareira onde ninguém até hoje havia habitado. Abriu-se um mar de cor que não posso descrever porque a clareira brilha tanto e fisga-me tanto que eu penso quão tolos foram todos os meus conceitos, meus desejos e quão frágil a vontade de penetrar cada vez mais em um paraíso... Porque nunca antes houve paraíso, nem vãos e cordilheiras na carne quase apagada de tanta e tanta falta de luz e desse clarão que diziam existir e eu nunca acreditei... Uma fonte jorrando qualquer coisa indescritível, uma vontade de estar ali para sempre, e quando chegar o último respiro que já nem importa mais, pedir um pouco mais mesmo ardendo, queimando, assim como o sol e a neve... porque realmente não importa...mais, mais, suba a rampa, galopa como nunca antes...já nada mais quero e posso esconder. Abriu-se em mim um mundo. 

Gastei palavras quando um único olhar poderia traduzir todas as línguas.


Suzana Guimarães

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Deus nos deu dois olhos porque sabia que não iríamos enxergar muito bem.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

No muro

No início, os empregados do manicômio retiravam a doida de cima do muro. Ela percorria todo o muro que circundava um dos pátios, descalça e de camisolão...

O que mais intrigava o diretor do referido hospital era ela não desejar nem o lado de dentro e nem o de fora. Nunca fugiu. Decidiu ele, então, deixá-la livre. Em cima do muro.

Histórias que ouvi do diretor.

                                                            Por SCG

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Mordeu o lábio e fixou-me... Eram olhos de imperador.

(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Meu Deus!

(por R. Meneghini - via celular)



Eu poderia dizer Meu Deus! E assim repetindo e exclamando, Meu Deus! E ultrapassar o espaço entre nós sussurrando Meu Deus...

Eu já estou a dizer Meu Deus! E já estou a dizer e a dispensar qualquer confusão...

Surge em meu rosto brisa breve, pequenas risadinhas...

E eu retomo e penso, Meu Deus!

Bate calmaria de um tempo antigo, toda a minha vida - juro, caminharia tudo assim novamente, assim, resoluta...

Só para de novo dizer, Meu Deus!




Suzana Guimarães

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Tempo?


Denso no corpo volátil na alma É assim que se define Quando o tempo perde sua falsa existência
Um dia, cem anos
Dois dias, cem anos...

Quantos mil anos em minutos?
Quanto tempo em segundos?
Quanto tempo se pode aguardar?
O que é aguardar?
É guardar?
Eu guardei?


Suzana Guimarães



domingo, 31 de janeiro de 2016

Vou dormir cedo porque amanhã está esperando-me.

(foto: SCG)

sábado, 30 de janeiro de 2016



(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)



Los Angeles, 30 de janeiro de 2016.



Querido,


Li, certa vez, que uma carta nos Estados Unidos demorou cerca de sessenta anos para ser entregue, mas um dia, ela chegou ao destinatário. Por isso, envio-lhe esta. 

Não, não estou esperando sua honrosa resposta. Certamente, daqui a sessenta anos, eu estarei em outra dimensão, pois meu caminho, eu já percorri a metade. Agradeço as chuvas de pedras, apesar de viver em um deserto. As pedras, nós já temos, a chuva, prefiro a que realmente água. 

Recebi suas fotos, de todas as suas últimas viagens. Assustei-me com a terceira pessoa que vi em todas elas e que se parece com você, mas não pode sê-lo. Antes, você sabe, eu via duas porque você ora se mostrava doce, ora se mostrava ausente, e eu não gostava dessa última. Eu não suporto ausências e notícias de pessoas desaparecidas. Sim, eu sei, preciso tratar-me disso! Aquele homem doce encantava-me... mas, agora, vejo um cara sem amor no olhar, sem delicadeza, um poema morto, papel picado e amassado... vejo um homem desconfiado, sim, a melhor palavra, melhor que "estranho". 

Quando a gente se encontrou naquele Café, eu falei que você estava "estranho" (perguntei se estava cansado e você alegou gripe), mas não fui feliz ao escolher a palavra, porque eu aprecio a estranheza, tenho vício nela; eu não gosto é do previsível. 

Onde você foi parar? Onde você está? 

Cadê você? Em suas fotos do passado, eu sempre via esperança em seus olhos, sonhos, caminhos, vontade de chegar próximo à alguma estrela, tocar alguma coisa que ainda nem havia sido criada... Hoje, vejo olhos levemente fechados, sem brilho, à espera de alguma tocaia... Em algumas fotografias, por estar ao lado das pessoas que ama, percebo a velha doçura, mas quem se deita em sua cama sozinho à noite é você, não é? A gente não pode ter os amados colados ao corpo, mesmo que sejam nossos anjos...

Descobri meio por acaso que você passou alguns anos tocando violão em bares, compondo letras muito lindas, esperando que alguma coisa o lançasse num golpe só a algum abismo... para que você sentisse o prazer de estar em qualquer lugar, menos em sua eterna zona de conforto.

Li essas músicas, entendi que a gente não retira com facilidade as digitais que os outros deixam em nossas almas. Eu, infelizmente, de nada soube, na época. Eu teria lhe dito que, dos seus noventa medos, um só poderia realmente vir a acontecer...

Foi então que tive pena dos poetas, e lembrei-me daquela frase, "Sou poeta e não aprendi a amar". Tive pena também do poema. Tive pena de você e também de mim, apesar de que eu não sou poeta e nem você. Apesar de que somos apenas duas pessoas que se encontraram em um tranquilo cruzeiro pelo oceano Pacífico e, em uma mesa de jogos, perdemos todo o nosso dinheiro e passamos então a nos odiar, colocando um a culpa no outro. Perdemos nosso tempo e até o juízo, bebemos tequila além da conta, nos jogamos nus na piscina do navio, fizemos muito sexo e fomos parar, presos, na cabine do comandante.
O resto ficou na ressaca...

Eu não fui cúmplice de nada! Você fez tudo o que fez, inclusive foi embora porque você já estava indo.

Essa carta é apenas para lhe dizer - pouco importando em que tempo chegará - que você não tem idade ainda para desistir e se tornar sócio de um restaurante de comidas vegetarianas. Você não deveria matar o artista, o poeta, o sonhador, o tocador de viola só porque a sua mulher morreu naquela curva mal feita que ela mesma fez na estrada. Você não teve culpa, nem no carro estava. Aqueles sonhos "assassinados" se foram, mas outros ainda podem surgir. 

Sou, sim, aquela mulher que você inventou, e, por ser invenção, fico na história, feito assombração. Mas, você eu não conheço mais, nem inventei. Desconheço-o totalmente.

Deixo-lhe essa carta, desejo-lhe uma mulher genuinamente feliz e úmida (e que saiba dirigir!), que lhe estenda a mão e lhe aponte caminhos. 

Mas, antes de tudo, desejo-lhe sua própria ressurreição.


Beijos, querido, beijos!

Lily


Por Suzana Guimarães

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

"A aventura tá pra frente, não pra trás, mano." Por Luís Meneghini.



"Ôh, mano, a vida sobe e desce, mas tu tem que ir reto, cara!" 
Luís Meneghini.

TRISTEZA

(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)


Entendo o segredo das portas que não se fechavam... Das águas frias, e de um corpo nervoso.

[sobre histórias que me contaram...]

Porque era morte anunciada ao cego.

Há o tempo de ser e ter e o do nada... o do tatear no escuro.

O sino badalou naquelas noites, mas ninguém ouviu, e, se viu, fez-se cegueira estúpida.




E ficam as carpideiras chorando os mortos. Encomendados.

Entendo serem bem melhores as portas fechadas, a água morna...

Valer-se dos despojos do morto de outrem é desconsolo.

Melhor lutar para fechá-las...

Não se vela bem morto alheio!

O melhor morto é aquele que é nosso, que a nós foi conhecido.

Para o morto dos outros só temos as lágrimas dos nossos...

E são essas que escorrem.


[sobre histórias que não deveriam ter me contado.]



Suzana Guimarães

Um poema de Alberto Caeiro




"Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão —
Porque não tinha que ser.
Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído."


Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Os pássaros



Dois belos pássaros. Idênticos. A varanda parece estremecer. 
Os dois se pegam. Os dois se pegam. Os dois se pegam.

Os dois se pegam porque estão em gaiolas separadas.

Os dois se pegam porque não podem fazer sexo.


Suzana Guimarães​

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

a vida que se foi...




... é inverno no norte. Aquelas árvores vermelhas e amarelas que vimos permanecem, mas são outras.

Feias, sem charme. Secas. A cor da vida que se foi...

Assim como você que também se foi.

Deve ter morrido em alguma noite em que eu dormia, alheia

Deve ter morrido vagarosamente, puxando leves sopros de ar.

A boca movendo-se lentamente, e eu pergunto-me, havia ainda o eco da minha voz, chamando-lhe para a vida?

Eu dormia, mas sempre foi essa a melhor forma do encontro por ser a menos triste, porque é livre

As árvores parecem outras, mas são as mesmas, mas nada mais me dizem - embora eu ainda olhe para elas...

Embora eu pense em ressurreições.

Embora eu tenha perdido a noite de todas as suas agonias

É que eu também tinha as minhas.



Suzana Guimarães