Sensação de lavada, bem lavada, na beira do rio, batida na pedra; secada; passada à lá dona Anésia, sem vincos, pendurada e esticada no cabide com o primeiro botão, aquele próximo ao gogó, cuidadosamente lacrado.
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Sobre ele e eu.
Passávamos. Ele contemplava o rio; disse-me, "Porque ela está muito próxima, a Lua, então ele se enche todo. Quase transborda." Para mim, era apenas um rio, belíssimo, de águas grossas;
Passávamos... Penso que mal vejo o mundo; só quase transbordo... porque ele passa e vai ao meu lado. E só ele, só ele me enche toda.
Com ele, morrerei Suzana.
Suzana Guimarães
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
sábado, 6 de agosto de 2016
Relato breve...
Eu queria. E era comum querer... Desejava um tempo especial, quase antes do fim do dia, do início da noite, o morno que se dá quando o calor ameniza, deixa a terra e as águas do mar alcançam as areias; um tempo calmo, gentil para comigo e eu para com ele. Mas também desejei - era muito comum querer! - passos pesados socando a terra, trovões, raios, enxurradas... a desgraça, a destruição da calmaria. Eu queria...
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| (fotografia por Suzana Guimarães, via celular) |
Sentada aqui onde estou, debaixo desta árvore, diante do mar, vendo as pessoas multiplicando-se em meus piscares de olhos... ouvindo o homem furando a terra, a britadeira quebrando as pedras, as vozes comentando... comentam sobre o barulho, mas para mim o cenário é o mais que perfeito porque nunca é o mesmo (lembre-se, as pessoas multiplicam-se aos meus olhos e se vão...) e eu cansei e o tempo que eu queria, não quero mais, só este. Estou parada, e se quero, quero apenas o fim da mesmice...
Já não posso mais, as mesmas imagens, o mesmo vocabulário, as recordações que se atravessam.
Sei que é meio-dia e que o homem parou para almoçar (e faça o tempo que for, ele parará), o silêncio apoderou-se do lugar, e eu ainda aqui. Espero um ônibus, o motorista me perguntará (ele, mais tarde, perguntou), "Where are you going?", e eu, prontamente, "I do not know". Sigo nesse ônibus, olho as cenas e elas não se repetem...
O que cansou-me foi a repetição...
por Suzana Guimarães
quarta-feira, 27 de julho de 2016
Ah!
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| (foto: suzana guimarães) |
Se eu soubesse, se você passasse, ah, se eu soubesse e você passasse. Se eu soubesse que você sabendo e eu também passasse... e se nós soubéssemos que passaríamos, eu passaria todo dia, eu saberia todo dia, e você saberia que eu passaria e também passaria, só para que eu soubesse.
(suzana guimarães)
terça-feira, 26 de julho de 2016
Aos cinquenta anos de idade
Aos cinquenta anos, a gente atira para matar. Não há mais rodeios e a necessidade apregoada é balela; nessa idade, sabemos muito bem como resolver as coisas; resolvendo. Não há necessidade, mas os atos são rápidos, sem premeditações infundadas. Demorou? A gente já se foi. Aos cinquenta anos, não há mais espaço para romantismos baratos e dramas. É tudo nu e cru. Ah, amo essas duas palavras! A gente tem fome e com certeza esperar o outro tomar alguma atitude é coisa impensada. É cru porque nos tornamos bruxos, adivinhões, e a conta de somar é a que mais sabemos. Um fato ou ato somado a outro é resultado sabido e esperado. Só os tolos, os tais românticos e dramáticos, erram ou subtraem, ou pior, dividem. Somos muito bons em multiplicar! Porém, predomina a tal necessidade que é falsa, pueril, enganosa, só para fazer charme, diversão. Aos cinquenta, a gente vai à fonte para beber água quando pairam dúvidas. Vai ao âmago da questão, vai aonde o cômodo diria para não ir, mas a gente vai. Fica aquela coisa remoendo dentro de nós, e fazer a verdade ser revelada fica fácil... a gente bebe a água, sorrindo.
Aos cinquenta, rir é mais fácil que chorar.
Suzana Guimarães
segunda-feira, 11 de julho de 2016
Tenho Fome da Tua Boca
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| (Suzana Costa Guimarães) |
"Tenho fome da tua boca, da tua voz, do teu cabelo,
e ando pelas ruas sem comer, calado,
não me sustenta o pão, a aurora me desconcerta, ...
busco no dia o som líquido dos teus pés.
Estou faminto do teu riso saltitante,
das tuas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra das tuas unhas,
quero comer a tua pele como uma intacta amêndoa.
Quero comer o raio queimado na tua formosura,
o nariz soberano do rosto altivo,
quero comer a sombra fugaz das tuas pestanas
e faminto venho e vou farejando o crepúsculo
à tua procura, procurando o teu coração ardente
como um puma na solidão de Quitratue."
Pablo Neruda
segunda-feira, 6 de junho de 2016
Mayhem in the streets Romeo and Juliet Revised
High School English Project. Zero Budget! Street English!
It was done in so little time.
Good job, guys!
Trabalho escolar. Nenhum recurso. Tempo escasso. Muita boa vontade.
Inglês cheio de gírias porque foi exigido trocar uma cena de Romeu & Julieta do Inglês formal e antigo para os dias atuais.
sábado, 23 de abril de 2016
(...) Com o passar do tempo e eu nem sei explicar o motivo exato que me levou a isto, ou mesmo, os motivos; com o passar dos anos, e o Sol castigando minhas ideias neste deserto cruel - mas, florido -, esturricando minhas vísceras, meus pulmões já traumatizados; com o passar do tempo cegando meus olhos, eu acreditei que ele viria rei, rei calçando chinelas - sim, chinelas, daquelas que fazem barulho no chão plaf-plaf -, dentro de bermudas velhas e camisetas de propaganda. E então, eu passei a enxergar o mundo masculino assim, chinelas plaf-plaf. Nunca mais, nunca mais os ternos, as belas camisas, algum charme. E meus vestidos seriam para sempre a vírgula mal colocada.
Com o passar do tempo, mimetizei-me (...).
(Suzana Guimarães)
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Um cílio de um milagre
| por Suzana Guimarães |
Abriu-se um céu, um infinito de estrelas; perfeitas! Abriu em mim uma clareira onde ninguém até hoje havia habitado. Abriu-se um mar de cor que não posso descrever porque a clareira brilha tanto e fisga-me tanto que eu penso quão tolos foram todos os meus conceitos, meus desejos e quão frágil a vontade de penetrar cada vez mais em um paraíso... Porque nunca antes houve paraíso, nem vãos e cordilheiras na carne quase apagada de tanta e tanta falta de luz e desse clarão que diziam existir e eu nunca acreditei... Uma fonte jorrando qualquer coisa indescritível, uma vontade de estar ali para sempre, e quando chegar o último respiro que já nem importa mais, pedir um pouco mais mesmo ardendo, queimando, assim como o sol e a neve... porque realmente não importa...mais, mais, suba a rampa, galopa como nunca antes...já nada mais quero e posso esconder. Abriu-se em mim um mundo.
Gastei palavras quando um único olhar poderia traduzir todas as línguas.
Suzana Guimarães
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
domingo, 21 de fevereiro de 2016
No muro
No início, os empregados do manicômio retiravam a doida de cima do muro. Ela percorria todo o muro que circundava um dos pátios, descalça e de camisolão...
O que mais intrigava o diretor do referido hospital era ela não desejar nem o lado de dentro e nem o de fora. Nunca fugiu. Decidiu ele, então, deixá-la livre. Em cima do muro.
Histórias que ouvi do diretor.
Por SCG
O que mais intrigava o diretor do referido hospital era ela não desejar nem o lado de dentro e nem o de fora. Nunca fugiu. Decidiu ele, então, deixá-la livre. Em cima do muro.
Histórias que ouvi do diretor.
Por SCG
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
Meu Deus!
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| (por R. Meneghini - via celular) |
Eu poderia dizer Meu Deus! E assim repetindo e exclamando, Meu Deus! E ultrapassar o espaço entre nós sussurrando Meu Deus...
Eu já estou a dizer Meu Deus! E já estou a dizer e a dispensar qualquer confusão...
Surge em meu rosto brisa breve, pequenas risadinhas...
E eu retomo e penso, Meu Deus!
Bate calmaria de um tempo antigo, toda a minha vida - juro, caminharia tudo assim novamente, assim, resoluta...
Só para de novo dizer, Meu Deus!
Suzana Guimarães
domingo, 7 de fevereiro de 2016
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