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Sobre contos e pespontos

Entre um conto e outro, alguns pespontos. Preciso dos pespontos para manter o principal equilibrado e firme. Preciso todo o tempo... Aprendi a pespontar quando a minha mãe me ensinou a fazer flores. Não, não se aprende a pespontar quando se faz flores. Essas apenas me lembram a minha mãe que me ensinou a pespontar os arranjos que a vida nos dá.



terça-feira, 26 de julho de 2016

Aos cinquenta anos de idade

(desconheço autoria da imagem)



Aos cinquenta anos, a gente atira para matar. Não há mais rodeios e a necessidade apregoada é balela; nessa idade, sabemos muito bem como resolver as coisas; resolvendo. Não há necessidade, mas os atos são rápidos, sem premeditações infundadas. Demorou? A gente já se foi. Aos cinquenta anos, não há mais espaço para romantismos baratos e dramas. É tudo nu e cru. Ah, amo essas duas palavras! A gente tem fome e com certeza esperar o outro tomar alguma atitude é coisa impensada. É cru porque nos tornamos bruxos, adivinhões, e a conta de somar é a que mais sabemos. Um fato ou ato somado a outro é resultado sabido e esperado. Só os tolos, os tais românticos e dramáticos, erram ou subtraem, ou pior, dividem. Somos muito bons em multiplicar! Porém, predomina a tal necessidade que é falsa, pueril, enganosa, só para fazer charme, diversão. Aos cinquenta, a gente vai à fonte para beber água quando pairam dúvidas. Vai ao âmago da questão, vai aonde o cômodo diria para não ir, mas a gente vai. Fica aquela coisa remoendo dentro de nós, e fazer a verdade ser revelada fica fácil... a gente bebe a água, sorrindo.


Aos cinquenta, rir é mais fácil que chorar.


Suzana Guimarães