Ilustração por

Sobre contos e pespontos

Entre um conto e outro, alguns pespontos. Preciso dos pespontos para manter o principal equilibrado e firme. Preciso todo o tempo... Aprendi a pespontar quando a minha mãe me ensinou a fazer flores. Não, não se aprende a pespontar quando se faz flores. Essas apenas me lembram a minha mãe que me ensinou a pespontar os arranjos que a vida nos dá.



domingo, 31 de outubro de 2010

NA DÚVIDA


arquivo pessoal

Ele não sabe se deixa a casa fechada, se deixa a casa aberta

Creio que é melhor engolir a chave

Ela comprou a passagem

Libertou a ave

Creio que deixou a bagagem

Ele alcançou a blindagem

Ela se foi no voo das milhagens

(Suzana Guimarães)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

QUATRO ABÓBORAS ATRÁS

arquivo pessoal

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

SOU BALA

(Desconheço autoria da imagem)



Embalada
Em fita
Desembrulha-me
Encosta-me em teu lábio que dispara

Embala-me
Sou bala
Enfia-me na tua boca
Faz língua tola
Revolva-me
Suga-me 
Raspa-me 
Faz-me sentir à toa


Por Suzana Guimarães


Nota: Texto originalmente publicado no extinto blog "Entre Marés", em 14 de outubro de 2010.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

SOBRE SER INSUBSTITUÍVEL OU NÃO

arquivo pessoal
                                         


                                    Dedico este "post" aos meus leitores, principalmente a você que me lê (não apenas os textos), comenta, interpreta, agradece, insinua, pergunta as razões, se faz presente, se faz eterno em minha vida.



Tudo seria mais fácil se eu não gostasse tanto de você(s). Sim, eu sei o tamanho dos laços que vamos criando neste mundo estranho, onde não nos vemos, não nos pegamos, não sentimos cheiros e nem ventos. Sim, tudo seria mais fácil se eu não gostasse tanto. Mas gosto, por isso a agonia.


Agonia, curiosidade, mania, hábito. Vocês pensam que não sei de vocês e eu penso que de mim nada sabem, mas descobri nestes cinco meses de "vida além dos teclados", que somos todos muito espertos, bisbilhotamos, fuçamos, lemos por entrelinhas, sentimos o peso dos dedos nas teclas. Quando penso que vocês nem chegaram perto dos meus sentimentos, vocês ironizam, divertidos, sabendo, revelando minhas verdades...


Tudo seria mais fácil se eu não gostasse tanto de vocês, mas eu não gosto de verbos no subjuntivo. Eu não sei viver subjuntivamente. O mundo não se fez a partir de um verbo tão precário. Desconheço esse tempo verbal, conheço o presente e estico os olhos para tentar planejar ou imaginar o futuro. Então, eu digo: por gostar tanto de vocês, esta minha saída, mesmo que temporária, dói.


Estou aqui para tentar explicar o meu afastamento, inclusive a razão de marcar uma data longínqua para o meu retorno. Meu coração, principalmente ele, e a minha mente não querem que eu me afaste, mas meu corpo exausto e a alma desgostosa gritam para eu parar. Eu preciso me esconder para poder me achar. Preciso organizar os meus armários, dobrar as saias e guardá-las por ordem de serventia ou cor, ou mesmo desfazer-me delas. Preciso polir meu anéis, abrir livros fechados, enfileirar meus sapatos. Preciso brincar no quintal do meu mundo e me ocultar atrás dos lençóis que balançam desinteressadamente ao vento.


Preciso parar de escrever para vocês pedindo um tempo. Cinco meses de "Blogs", quatro pedidos de "break". Certa vez, contaram-me a história de uma louca. Ela fugia todos os dias. E era encontrada todas as vezes no mesmo lugar: em cima do muro do hospício, andando de um lado para o outro. E, se permitissem, de lá não sairia. Ela andava rindo ou cantando, vestida num camisolão, alheia ao mundo, não caía nunca e ia e voltava fielmente, cumpria a jornada do muro. Eu não nasci para isso. Ou pulo de vez para dentro e fico ou ganho a rua.


Nas vezes anteriores em que parei, eu planejava ficar um bom tempo ausente, mas os insubstituíveis chamaram-me de volta e eu voltei. Ao longo da minha vida, ora ouvia dizer que somos substituíveis, ora ouvia dizer que não. Aprendi com elas, com todas as pessoas que cruzaram o meu caminho, que somos insubstituíveis, mas, se quisermos, conseguimos o contrário. São as pessoas que decidem se serão ou não substituíveis na vida da outra. A minha mãe é insubstituível, porque ela quer ser assim na minha vida, ela faz a parte dela, ela se compromete comigo todo o tempo.


Você(s) é insubstituível para mim porque você assim quis e assim age. Você insiste, você quer, você teima. Você me ganha todos os dias, estando você bem ou não, feliz ou não. Você faz questão de estar na minha vida e quer que eu esteja na tua. Não há quem o substitua, você não cede o teu lugar, você se faz presente, você não vive subjuntivamente, você é o momento agora, esse em que me encontrou.


Por isso, eu sofro. Por isso, eu cantei a música "Agonia", do Oswaldo Montenegro no "post" anterior.


Fechei a caixa de comentários, mas o "e-mail" que está no meu perfil é o oficial. Quem quiser me escrever, que o faça, sem melindres. As palavras jamais deixarão meu mundo. Preciso ausentar-me, mas carinho e delicadeza não dispenso em hipótese alguma.


Pouco sei de muita coisa, mas muito sei sobre o tempo delas. Quem sabe esperar aprende a contar o tempo. As palavras aqui se ausentarão, mas as imagens, não. Fazendo questão de ser insubstituível em tua vida, passarei aqui ou aí, na tua casa, e deixarei um pouco do meu cheiro, aquele que só você consegue sentir.


Beijos,


Suzana C. Guimarães


 
Nota: mesma publicação, na mesma data, em O Medo De Suzana.


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

ilustração, por R.Meneghini




Nota: mesma publicação, na mesma data, em O Medo De Suzana.



domingo, 10 de outubro de 2010

PINTURA NUA EM SIMBIOSE


ilustração, por R.Meneghini

Lindo e irresistível convite

Retenhas-me

na tua retina

Insinuas tu

- a algum bravo, destemido e forte -

que me verás nua

Retenhas minhas mãos

que ousarem fugir

deixe-as vãs

Entrevas tua cara na minha arquitetura

Retenhas-me

Ficção e realidade - misturas.

entre a cortina caída e a pintura

Soltas a moldura

Arrancas tu a tela

Ficção na realidade - misturas.

Bole tu com tinta crua

Para tatuar-te a pele

Entesas tu a mim

no vão das pernas

e a retina - tu pedes.

Rubricas nas minhas costas

com ponta de barba

para que te arranhe os céus - tu fazes.

E em tudo que tu bulas

E em tudo rubro

Paixão desenfreada - demonstras.

Testa tu...
 
Lily e Suzana - tu juntas!

 
 
LU, http://vivaagora.blogspot.com/    &
 
SU/LILY
 
em total SIMBIOSE



P.S.: poesia, tesão e diversão: simbiose perfeita

sábado, 9 de outubro de 2010

PINTURA NUA

ilustração, por R.Meneghini



Retenhas-me

na tua retina

Insinuas tu

que me verás nua

Retenhas minhas mãos

que ousarem fugir

deixe-as vãs

Entrevas tua cara na minha arquitetura

Retenhas-me

entre a cortina caída e a pintura

Soltas a moldura

Arrancas tu a tela

Bole tu com tinta crua

Entesas tu a mim

no vão das pernas

Rubricas nas minhas costas

com ponta de barba

E em tudo que tu bulas

E em tudo rubro

Testa tu...

(Suzana Guimarães)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

PALAVRAS ESPECIAIS PARA VOCÊ


fotografia, por SCG



Sei que você está aí e me lê. Sei que sou seu vício. A cachaça. Um maço de cigarros de uma só vez. A droga. A falta. A abstinência. Você se lembra dela, do veneno quente que rola por dentro das veias? Você sente novamente o calor na garganta, a necessidade, desespero? A falta da água que não é líquida, que não é fluida? A inquietação das suas pernas, o pisar em nuvens malignas?

A inquietação das suas pernas, que o levaram aonde bem quis, inclusive na boca do inferno. No coração dos céus? Até mim.

Sei que você me coloca no colo e me lê. Em cima dessas suas pernas, em cima da cama, em cima da mesa. Posso ver os seus olhos, o brilho ainda vive na minha lembrança. Você ficou assim, lotado de minhas palavras e eu com seus pedaços: suas pernas, tão longas, suas mãos, tão longas... sim, feito o lobo mau. Tantos pedaços que catei e guardei. Seus olhos e aquele pedaço de risada, pequena, leve, rápida.

Sei que você jura não mais me ler, mas cai em tentação, e seu material é frágil (não, não, nem tanto, você pode conter uma enxurrada), mas eu sempre fui a sua tentação.

Sei que você está aí e me lê. E lembra-se de que não viu o capeta, mas me viu. E eu o cortei, em tiras. Até hoje você procura os pedaços deste seu corpo ardido, desta sua alma que não mais tem o sossego da minha. Seus pedaços? Estão comigo.

Sei que você me lê e sente a paz de quando me via. De quando sentia meu cheiro por perto e meus olhos parados em você. Ou fugidios. De você, mais fácil escapar, mais difícil ficar. Mas eu ficava, e deixava-nos girar, você em mim e eu em volta de você, um círculo, um vício. A droga. A faca. Sim, com aquela mesma faca eu o cortei. Eu tive os dois em minhas mãos, lembra-se? Seus olhos apenas, de tão cegos e fumegantes, não puderam ver. Ou você nem se importava.

Mas, hoje você me lê. E se importa, já não pode mais me ouvir, e nem eu ser para você, ouvidos. Ou mesmo a sapiência de tudo que você sempre foi. Eu sempre soube tudo, meu segredo mal revelado, mal escondido. Sabotado.

Você me lê e eu me vejo no direito de lhe perguntar, mesmo não esperando resposta, deixo solta, pega aí: o que você fez com o vazio que ficou? Voltou com a faca para o mesmo lugar? Você só a tem porque eu a tinha. O que você fez com os espaços que eu preenchia, no sofá da sala, na murada, na calçada, lá onde águas corriam silenciosamente? Cortou o pé daquela fruta para me matar de vez? Coitada da fruta, pois eu continuo. E permaneço. E sei que sou agora o seu fantasma.

Você pensa me ver atravessando a rua, correndo para entrar num táxi. Você pensa que o barulho lá fora, sou eu chegando, para a rotina do domingo. Você vê o meu cabelo nos carros que passam. Você se lembra de mim quando sobe naquele pé de fruta que você não cortou. E dorme comigo entre os dedos. Quantas vezes você me tocou, eu, entre seus dedos, no metal dourado que me reflete, quantas vezes você passou o dedo de leve, e recordou?

Você se lembra de que depois rimos de tudo? Sim, eu também ri, em minha solidão, você nunca soube disso. Você se lembra do morro? Da praça? Você ainda come peixe com alcaparras? Ou nunca mais voltou lá? Ou voltou com tantos outros para se machucar?

Pois eu de nada disso me lembro. Eu virei borboleta. Voei para longe e no caminho o lancei aos ventos. Porém, tenho aqui comigo os seus pedaços. Venha! Venha buscá-los. Coragem? Você não a tem. Eu fui a sua maior coragem, eu fui o seu melhor tropeço. Eu fui o melhor de tudo aquilo que você se arrependeu de ter feito.


P.S.: Pensou que eu não lhe deixaria palavras? Sim, essas são suas, especiais para você.

Beijos!
                               
                                                     Suzana Guimarães

domingo, 3 de outubro de 2010

SOL E LUA


ilustração, R.Meneghini
Gabriel é meu primo, ele tem 11 anos. Ele vive muito, muito longe de mim... sinto saudades de quando minha mãe, a Suzana, carregava aqueles meninos todos dentro do carro e eu reinava única, absoluta, idolatrada por eles. Fingia que nem os via, gritava por qualquer coisa, pelo bico que havia caído, por mamadeira, pelo meu bebê de pano ou por nada mesmo, só para vê-los parados, de olhinhos fixos em mim, falando como se eu fosse bebezinha. A verdade é que já nasci mocinha e o que eu queria era apenas que eles parassem de gritar e ficassem a me olhar.

O Gabriel enviou este presente para mim, um poema que fala sobre Sol e Lua, o escuro e a luz.
                                                                                                     
Obrigada, Gabriel! Gosto de ser regida pelo Sol, mas quem me encanta é ela, a Lua.

Beijos,

Lily

  "Sol e Lua.

Duas forças místicas.

Sol brilha.

Lua ilumina.

Juntos formam o Eclipse.

Mas na longa escuridão,

Surge um grande clarão.

O Sol aparece,

Mas logo se põe.

A Lua acorda

Com sua grande iluminação."
 
( G.A.S.G.)
 
 
Quer conhecer o Gabriel? Clica no endereço abaixo:
http://gabstorm-contosdefabulas.blogspot.com