Ilustração por

Sobre contos e pespontos

Entre um conto e outro, alguns pespontos. Preciso dos pespontos para manter o principal equilibrado e firme. Preciso todo o tempo... Aprendi a pespontar quando a minha mãe me ensinou a fazer flores. Não, não se aprende a pespontar quando se faz flores. Essas apenas me lembram a minha mãe que me ensinou a pespontar os arranjos que a vida nos dá.



terça-feira, 31 de maio de 2011

NO DESDOBRAMENTO DA ALMA

(fotografia, por SCG)


Helcio Maia pediu-me um texto em homenagem à quadringentésima postagem no Blog de sua autoria 'Palavra Fátua'. Escrevi  'No desdobramento da alma', CLICA AQUI para você conhecer o Helcio e ler o texto.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

ESTOU NA FESTA DA RAÍSSA


( fotografia, por SCG e confecção dos doces por crianças em aula de culinária)
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segunda-feira, 23 de maio de 2011

CEGUEIRA


fotografia, por SCG


Ela, na janela, vendendo frutas. Ele passa toda tarde e toda tarde diz para ela "eu a amo, eu a amo". Ela, na janela, vendendo frutas, sabe, ele não a ama, ele ama a moça rica e linda. Ela é pobre, apenas vende frutas, expostas, exóticas, na cesta rasa. Ela é cega, ela não o vê, mas ouve toda tarde "eu a amo, eu a amo". Ela queria cortar os cabelos, ela queria conhecer o mundo, saber a cor dos olhos dele, não voltar nunca mais para casa. Ela ouve os passos dele ao longe, sabe que é ele, sente o cheiro de aldeia. 

Ele passa toda tarde para contar para ela, pois ele tem certeza, com a moça rica e linda ele provará todos os frutos do mundo, subirá todos os montes. Ela também tem cheiro de aldeia.

E os cheiros se casam bem.

Ela, na janela, não tem tristeza, tem vazios, dois vazios, os dos olhos.

Ele canta para ela o amor dele, que é puro, é terno, juvenil, muito melhor que todas aquelas frutas, que só murcham.

Ela, um dia, come a fruta do dragão, o melão com chifres, todas as rambutans e uma mangostim, enquanto o escuta, atenta. Depois, fecha a janela e para lá, volta não.

Ele não fala mais "eu a amo, eu a amo"... Ele anda pela cidade e não se ouve mais aquele som cantado, de amor romanceado.

Ele não sabe, mas ela ri.


por Suzana Guimarães

quarta-feira, 18 de maio de 2011

DOCE HOMEM (III) - ufa! continua...

(imagem retirada da Internet)

Cá estamos nós, novamente nós, e tu ris, tu ris e pouco se importa, palavras, palavras desnecessárias nesta terra árida em que fazemos sombra, mormaço lambido em nossas caras já em riso, em véspera de gozo, neste nosso jogo, silencioso, vaidoso, e eu te pego e te puxo, e te toco. Em que Língua? Doce homem, cá estamos nós e eu lhe digo, ao pé do ouvido, I will die, I will die... silencioso homem doce, eu te leio todo, e toco meu ombro em teu ombro, meus quadris em quase arco, quase ato, e grito I will die, I will die... e tu dispensas línguas e todas as outras Línguas, fazes de mim a caída da pitanga, da amora, framboesa, em tua proeza de laçar minhas ancas e girar-me e fazer-me pluma, tão leve, tão leve, escorrendo, descendo o aclive, subindo aos céus, tão devagarinho, homem doce de gestos certos, homem em ângulo reto, que conheço no toque da pedra dura, homem de poucas palavras, muito riso, bastante juízo pra não me deixar morrer. Não, não me deixar morrer... me vira ao alto, me faz tocar as tuas nuvens, rolando-me, e já nem sinto meu peso, apenas os ventos soprando, soprando, ritmados, no compasso teu, pois agora és tu quem mandas e eu só digo I will die, I will die...


Homem doce, ébano, noite, que desconhece poder da letra, que não se perde em palavras, mal me toca, mal me prende, mas me segura pelo corpo, sem esforço, que fala na minha, na tua, na nossa, qualquer úmida língua, mostra-me que a morte mora entre nós, no meio de nós, esmagada entre teu peito e meus seios, amassagados, minha flor afagada entre teus quadris, exigentes, urgentes, mas lentos feito a morte, feito a sorte de te pegar meu, todo em minhas mãos. Ando sentindo cheiro, cheiro doce, suave, quando repouso minha asa de ave fêmea em teu peito, homem que me faz doce... faça isso, me cala, apaga da minha boca sílabas inúteis, incita-me a uma boa briga, interrompa-me, ressuscita-me em meio às minhas fracas palavras, tão brandas, perdidas na tua força. I will die...


 por Suzana Guimarães



segunda-feira, 16 de maio de 2011

DOCE HOMEM (II)


(imagem retirada da Internet)


Doce homem doce, caramelado, mel bronzeado, olho e gosto e sempre provo. Tu me lembras canela queimada, sou tua amada e me rio da tua passada. Homem doce, vem você de novo, debaixo de meus mormaços, vem para os meus braços, encalorados, vem em pluma, na beirada da praia em noite sem Lua. Homem doce, de riso solto, que me prende e me deixa afoita e que toca e me deixa sem rota... Desejos rubros, te olho nos olhos, encontro em rumo esculpido desejo, gosto sim deste teu jeito jocoso de quem goza e me olha e me sufoca e me deixa cristalizada... de tão eternizada neste teu balanço, nestes teus braços que me prendem nesta pele queimada da costa, sem desenho, sem cheiro, pura mistura, eu me abro, me fecho, te prendo, já conheço teu espaço, de cima a baixo. Vem você de novo e me pega de jeito, me põe no teu peito, ri do meu rosto em gozo, diz palavras roucas, profanas, adorna as brancas, aquelas que deixei vazar no vão dos olhos, quando tu passavas por mim e em mim deixavas...

aquele doce caramelo de mel, lambuzado de desejo de mim.

por Suzana Guimarães


 
 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

JÁ NÃO ME CABE

fotografia, por SCG
O texto está publicado no Blog O MEDO DE SUZANA.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

E A RESPOSTA É...

fotografia, por SCG
                                                                            

Sim, fui obrigada a tornar meu outro Blog, O MEDO DE SUZANA, privado. Mas, ainda não recusei ninguém (o Blogger.com permite apenas 100 leitores), pois ele se tornou privado apenas para ser não-público a quem não quer aparecer de forma alguma. Respeito essa posição, se mostra quem quer, mas me vi no direito de esperar o pedido de convite ou mesmo o aceite ou a recusa ao meu convite. Sim, já convidei pessoas que não quiseram me ler, declinaram do convite. E, outro dia, removi uns dois.

Sim, machuquei alguns dedos no jiu jitsu e uma semana depois sofri um acidente doméstico. Sim, eu sei, acidentes acontecem, bem e mal querer também.

Sim, passei um ano surtando. Avisei meu afastamento dos Blogs em várias ocasiões, e, uma única vez foi por motivo de saúde. As outras vezes? Falta de preparo para lidar com situações conflituosas. Simples. Acumulei idade, cicatrizes e fantasmas nas caixinhas que eram para ser de música com bailarina, e não aprendo o saracoteado. Cadê a bailarina? Vira sapateado. Fica a música, a música que a gente, pelo menos, eu, eu continuo a ouvir, insistentemente.

Sim, sou temperamental. Sim, eu perco o tino. Sim, eu sei, há pessoas que me adoram e outras tantas que me odeiam, mas estou aqui por causa das que me amam. O tempo de me preocupar com os pensamentos e desejos alheios já se foi, perdido, perdido, mais perdido que um mosquitinho de brilhante nas areias da praia.

Não, eu não pretendo parar de escrever. Sim, continuo treinando e lutando jiu jitsu.

Não, eu ainda não viajei.

Sim, eu visito três ou quatro amigos blogueiros por dia, pois ainda não estou em férias, de fato, mas passo dias sem vir aqui, às vezes, e dias sem vê-los também. A partir de setembro, pretendo manter uma certa rotina (não sou boa nesse quesito).

Sim, eu consegui acabar com 2/3 daquela lista enorme que estava pregada na porta da geladeira.

Sim, avisei que ia diminuir as publicações e visitas, mas que não me ausentaria até à época da minha viagem. Porém, um problema na família desorientou-me e eu fechei as portas dos Blogs de forma repentina.

Não, eu não surtei.

Sim, eu me afastei por questões não-emocionais.

Sim, estou aqui para dizer que me dói ler que você sente falta dos meus escritos, das minhas risadas, do meu choro, dos meus passeios e comentários. E eu queria prometer um roseiral de textos, cachecóis coloridos para o frio, luvas de plumas, minhas mordidas de formiga cabeçuda da cabeça vermelha, hum... mordidas finas picadas... Eu queria escrever sobre os meninos que passeiam na orla da costa californiana, tatuados, em esqueites, soltos, ao vento, suados, olhares mornos... ou sobre certos homens dirigindo certos carros enormes que cruzam as esquinas e nos deixam sem viseiras, à beira... hum... isso me lembrou a Lua do Lobo Mau, sim, ela mesma, quem a conhece, sabe.

Eu também ouvi dizer que... e isso me dá um conto ou três.

Sim, estou viva, inteira e feliz apesar de.


                                          SMACK aos amados,


                                          "I`m sorry" aos demais.

                                                    
                                                                 por Suzana Guimarães/LILY


Nota: mesma publicação, na mesma data, em O Medo De Suzana.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

CONTOS DE LILY - ano 2


ilustração, por R. Meneghini



Poderia estar chovendo fino, manso, num dia silencioso, e a palmeira em frente à vidraça bateria, bateria, feito uma sineta tocada, uma campainha, a mão querendo entrar, conhecer, tocar.

Poderia estar chovendo fino e a moça me daria uma sombrinha, diria 'boa viagem'!

Poderia estar chovendo fino lá fora, mas não está. Faz Sol lá fora, dentro de mim, uma geleira.



Petrificadas, assustadas, amedrontadas, as palavras fecharam-se dentro de um corpo, o meu.



Alguém estende os lençóis da cama, asperge alfazema, pensa em mim, anseia por mim, e os dias sufocam-se escangalhados, inseguros, perdidos em cima de um piano mudo. As notas musicais também petrificadas e não se fala mais em arte, poesia, detalhes.



Poderia estar chovendo fino, poderia haver riso, ah!, eu poderia escutar, mas poderia é longe, é do outro lado do mundo, lá, onde a menina não coroou a santa, não saiu na melhor fotografia da escola, não encontrou o que procurou.



Hoje, a menina senta e escreve, digita, ela ama o som que as teclas fazem, mas há mais espaços vazios entre cada toque que palavras, que alguma coisa qualquer que possa sair de dentro dela. A toalha da mesa da festa está em guardanapos, assim como os cristais. A janela sequer se abriu nas ensolaradas tardes.



Poderia estar chovendo fino lá fora, para comemorar todas as idades da menina que se perdeu num tempo inexistido, chacoalhado na bagagem, nas dobras das entrefechadas encruzilhadas do caminho ilusório.



Imóvel a palmeira, mortas as palavras e a menina dorme. Eu, eu a velo.



                                        'PODERIA', por Suzana Guimarães