Ilustração por

Sobre contos e pespontos

Entre um conto e outro, alguns pespontos. Preciso dos pespontos para manter o principal equilibrado e firme. Preciso todo o tempo... Aprendi a pespontar quando a minha mãe me ensinou a fazer flores. Não, não se aprende a pespontar quando se faz flores. Essas apenas me lembram a minha mãe que me ensinou a pespontar os arranjos que a vida nos dá.



quinta-feira, 15 de setembro de 2011

DOCE HOMEM (V) - última parte

(imagem retirada da Internet)


Cabelo graúna, minha doce ficção, lotada de pele, suor e risos.

Ah!, como tu me fazes rir, só de pensar, só de lembrar, só de pegar, só de escutar, só de tentar.

Cabelo graúna, eu poderia, ao ouvir tua boca dizer meu nome pela primeira vez, puxar esses teus cabelos, atirá-lo ao chão (como se fosse fácil!), eu poderia prendê-lo corpo a corpo na parede, de encontro ao teu riso calmo, certo, constante, macio, macio, feito tuas mãos nas minhas, feito o som das sílabas, todas elas, vogais, consoantes, com som, como antes, pronunciando meu nome.

Ah!, enfim, esperei tanto, pensei que jamais dirias. Mas rolou a língua para dentro de si, calcou o peito, prendeu ar e soltou devagar, reverberou, acentuando errado, mas encheu a boca e falou e eu que poderia sim, poderia sim, tu irias deixar, deixar eu lhe atirar do outro lado da sala, da areia da praia, do lado de lá do pier, por além dos arbustos do gramado, apenas levantei os olhos e olhei, gozei com o som, o tom.


por Suzana Guimarães