Ilustração por

Sobre contos e pespontos

Entre um conto e outro, alguns pespontos. Preciso dos pespontos para manter o principal equilibrado e firme. Preciso todo o tempo... Aprendi a pespontar quando a minha mãe me ensinou a fazer flores. Não, não se aprende a pespontar quando se faz flores. Essas apenas me lembram a minha mãe que me ensinou a pespontar os arranjos que a vida nos dá.



quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O sentido da existência



(fotografia scg)


Pesou o passar daquelas horas. O relógio à frente, na parede, ajudava. Pesou o corpo que se entregou dobrado. Ficou assim, dobrada em dois, sentada na cadeira dura e inerte. Sentiu vazio enorme e um clarão: a existência é sem sentido enquanto se embala na certeza contrária... 

porque tudo acontece como que maestrado no final de tudo, mas no correr das horas parece vago e sem cor. 

​Podia ficar ali para sempre. Ou morrer ali daquilo tudo que era o nada a subir pelas pernas.

Curvada, olhou essa coisa alguma galgando dos dedos dos pés aos joelhos... nada fazia sentido, coisa alguma, gente nenhuma.

Foi então que neste desejo de morte, ouviu chamarem seu nome.



Suzana Guimarães


_ era 5 de julho.