Ilustração por

Sobre contos e pespontos

Entre um conto e outro, alguns pespontos. Preciso dos pespontos para manter o principal equilibrado e firme. Preciso todo o tempo... Aprendi a pespontar quando a minha mãe me ensinou a fazer flores. Não, não se aprende a pespontar quando se faz flores. Essas apenas me lembram a minha mãe que me ensinou a pespontar os arranjos que a vida nos dá.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2017


(imagem: desconheço autoria)



Era um bom momento para dizer, "Eu a amo", ele pensava, aflito, enquanto ela se despedia, falava coisas, e, para ele, poderia ser talvez a última vez, então era a hora, falaria.


​Falaria, mas não falou. Pediu um instante, disse que gostaria de dizer-lhe algo e um silêncio calmo se fez presente. Ela esperou. Ele não falou.


Ele não falou porque o coração gritava muito mais alto: "Eu a invejo."



Suzana Guimarães​

Um comentário:

  1. Muitas vezes é isso que acontece com o amor. As pessoas amam tanto, que o coração fala sua própria linguagem. E nessa linguagem o sentimento é silencioso, único, só seu. Noutras ele nem sabe que ama, Ou ainda não aprendeu ver som nisso só sentimento.
    No entanto ambos precisam saber essa linguagem para uma comunicação interna, única.
    Seu texto é como sempre uma iluminação.
    Beijo Su

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