Ilustração por

Sobre contos e pespontos

Entre um conto e outro, alguns pespontos. Preciso dos pespontos para manter o principal equilibrado e firme. Preciso todo o tempo... Aprendi a pespontar quando a minha mãe me ensinou a fazer flores. Não, não se aprende a pespontar quando se faz flores. Essas apenas me lembram a minha mãe que me ensinou a pespontar os arranjos que a vida nos dá.



sábado, 23 de junho de 2012

A NOITE E EU


(Imagem sem autoria conhecida, retirada da Net - na delicadeza de Dulcie Brito)


Hoje, eu quis tocar a noite
por breves segundos
ninguém viu, ninguém soube
Só você que me lê, agora.

Eu quis tocar a noite,
falar para ela tudo o que eu poderia
Em total mudez,
em total nudez.
Ser dela...

Ser o campo para o seu orvalho,
ser por ela, possuída...
vagarosamente, mas de forma eterna.

Antes que o amanhecer viesse e me levasse
Com suas regras preestabelecidas, com sua cara dura, quase sempre mal amanhecida.

Envaidecida, me deitaria em forma de flor que desabrocha, 
Que nunca desabrochou.
Ela não sabe, a noite, mas eu sempre fui dela.


Por Suzana Guimarães