Ilustração por

Sobre contos e pespontos

Entre um conto e outro, alguns pespontos. Preciso dos pespontos para manter o principal equilibrado e firme. Preciso todo o tempo... Aprendi a pespontar quando a minha mãe me ensinou a fazer flores. Não, não se aprende a pespontar quando se faz flores. Essas apenas me lembram a minha mãe que me ensinou a pespontar os arranjos que a vida nos dá.



terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Claro como um dia

(arquivo pessoal Suzana Guimarães)


Eu vi um lago em um dia claro e vi o mundo que o circundava. Vi aves altíssimas, formosas e claras, assim como era a vida que eu sempre via... Eu vi as areias macias e pegadas antigas, onde brilhava a luz do sol abrangente, ardoroso, assim como era meu olhar por sobre a vida. Aquosa. Audaciosa. 

Eu vi um homem parado que admirava o lago, o mundo, as aves altíssimas enquanto rolava nos dedos as areias macias, quase virgens, quase claras, alheias aos passos mal dados...

Eu vi um lago ou um homem em um dia claro?

De fato, eu nada via pois manhosa era a minha vida, saudosa de qualquer prévia partida.





O que o homem não via era o lago que de mim se emergia noutros lagos, rápidos atrás da desembocadura...

Onde nunca voou ave alguma.


Por Suzana Guimarães