Ilustração por

Sobre contos e pespontos

Entre um conto e outro, alguns pespontos. Preciso dos pespontos para manter o principal equilibrado e firme. Preciso todo o tempo... Aprendi a pespontar quando a minha mãe me ensinou a fazer flores. Não, não se aprende a pespontar quando se faz flores. Essas apenas me lembram a minha mãe que me ensinou a pespontar os arranjos que a vida nos dá.



sábado, 26 de dezembro de 2015

Geografia de mim

(arquivo pessoal de Suzana Guimarães)

E foram surgindo caminhos estreitos, obscuros, estranhos; becos sem aparentes saídas, vielas sem luz... às vezes, pátios ensolarados onde sempre cantou uma única ave que carinhosamente chamava-me de bem... e também momentos de voos, asas abertas, coração acelerado em direção ao alto; comunhão com os astros... e foram surgindo dúvidas sobre mim, crescendo mudanças rápidas em meus movimentos (num corpo embora cansado e velho), e todos foram se perdendo daquilo que seria a verdade... 

Porque hoje sou objeto metamorfoseado.

E foram tantas as mãos que moldaram esta para mim carcaça que por pouco, muito pouco, eu não saberia mais o correto endereço.



Por Suzana Guimarães


Para Cilnéia Felippe

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