Ilustração por

Sobre contos e pespontos

Entre um conto e outro, alguns pespontos. Preciso dos pespontos para manter o principal equilibrado e firme. Preciso todo o tempo... Aprendi a pespontar quando a minha mãe me ensinou a fazer flores. Não, não se aprende a pespontar quando se faz flores. Essas apenas me lembram a minha mãe que me ensinou a pespontar os arranjos que a vida nos dá.



sábado, 14 de dezembro de 2013

A Lista



(fotografia encontrada na página da Daniela Ferreira)

O primeiro me subestimou.
O segundo teve medo.
O terceiro me acanhou.
O quarto, um criado-mudo.
O quinto provocava risos.
O sexto veio para eu esquecer.
O sétimo, calvo, calmo, parvo.
O oitavo foi o segundo que voltou.
O nono quase me conheceu.

Dispenso o primeiro, quero o último.
Rio do segundo.
O terceiro espera eu voltar, na mesa de um bar.
O quarto, provavelmente, ninguém mais espana.
O quinto afogou-se em seu próprio riso.
O sexto virou cartilha, esqueci.
O sétimo, onde?
O oitavo repete ano, não dá!
O nono chegou atrasado.

E o décimo?

Vai me beijar. 


Por Suzana Guimarães