Ilustração por

Sobre contos e pespontos

Entre um conto e outro, alguns pespontos. Preciso dos pespontos para manter o principal equilibrado e firme. Preciso todo o tempo... Aprendi a pespontar quando a minha mãe me ensinou a fazer flores. Não, não se aprende a pespontar quando se faz flores. Essas apenas me lembram a minha mãe que me ensinou a pespontar os arranjos que a vida nos dá.



terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Cheiro de flor e hortelã


(desconheço autoria da imagem)


Volta.

Olha novamente, sou eu mesma.

Perdão, precisei de tempo. Você pode imaginar? O tempo foi muito longo e tenebrosos os invernos, exaustivos todos os verões... nos outonos, eu perguntava aos céus e às folhas caídas por você. Volta de onde está, olha para mim, toda primavera, por mais sem flores, foi para você. 

Perdoa-me, foram muitos os chamados e muita a ânsia da certeza. Perdoa-me e volta. Por favor, pega aquele mesmo roteiro, espera em pé, perdido naquele ermo caminho sem fim, sob o calor do deserto, sob nossas inúmeras desconfianças... Saiba que é tudo e para mim, início e fim. 

Volta.

Retorna.

Liga o carro, busca-me.

Estou há tanto tempo esperando-o que acabei por duvidar de mim.

Volta, e amassaremos o campo de hortelã, menta, sempre-viva, tudo onde os deuses atônitos presenciaram nosso tão inacreditável esbarrão.

Venha, vamos rir deles. Vamos rir de nós.


Suzana Guimarães