Ilustração por

Sobre contos e pespontos

Entre um conto e outro, alguns pespontos. Preciso dos pespontos para manter o principal equilibrado e firme. Preciso todo o tempo... Aprendi a pespontar quando a minha mãe me ensinou a fazer flores. Não, não se aprende a pespontar quando se faz flores. Essas apenas me lembram a minha mãe que me ensinou a pespontar os arranjos que a vida nos dá.



quinta-feira, 17 de março de 2011

A GANGORRA E O PÃO

fotografia, por SCG



Ele na gangorra

ora vem, ora vai

Ele na gangorra

grita

Eu a amo

Eu a amo

mas a gangorra

ora vem, ora vai



Ela mastigava um pão,

sentada, observava-o

Ela pensava, não me abandone

Estenda-me tua mão

Não me deixe à deriva de mim, à minha própria sorte

Dê-me do teu alimento

Estenda-o à minha boca

Dê-me um norte.



Ela sentia-se indo indo

talvez já tivesse ido

para onde não há gangorras

para o núcleo, onde o pão se dissolve



Ele na gangorra gritava

Eu a amo

Eu a amo

e a gangorra ia e vinha, ia e vinha,

doce balanço, doce equilíbrio

Ela, nenhum, sentada na pedra

Mastigava o pão


vento macio ressoava



Ela o ama

Ela o ama



para lá, muito longe,

caminho triste

rota sem pão

onde o início era só fim
 
 
(por Suzana Guimarães)