Ilustração por

Sobre contos e pespontos

Entre um conto e outro, alguns pespontos. Preciso dos pespontos para manter o principal equilibrado e firme. Preciso todo o tempo... Aprendi a pespontar quando a minha mãe me ensinou a fazer flores. Não, não se aprende a pespontar quando se faz flores. Essas apenas me lembram a minha mãe que me ensinou a pespontar os arranjos que a vida nos dá.



segunda-feira, 21 de junho de 2010

EMBRIAGUEZ

                                Suzana C. Guimarães                                        


Ensimesmada, me embriago.
Em tempestivas tragadas
Me aguo...
De letras do teclado.
Não desagarro,
Sou tragada!
De mim nada mais sei
Corpo sem cuidar,
Qualquer pano que me cubra
Sem colar
Sem cheiro
E me deito.
Vejo letra rubra
Machucada.
Me desajeito
Com as todas palavras.
Anestesiada...
Vejo teclas,
Vejo-as nuas, marcadas.
Minha casa cheira a aguardente
O mesmo com que me embriago
Daquela coisa quente!
Minha cama está desfeita.
Minha casa não se enfeita.
Bebo, bebo, a última letra guardo
Do lado esquerdo, à espreita.
Sonho embriagada
Daquelas palavras
Andam perguntando por mim, exalo meu peito
Que leio.