Ilustração por

Sobre contos e pespontos

Entre um conto e outro, alguns pespontos. Preciso dos pespontos para manter o principal equilibrado e firme. Preciso todo o tempo... Aprendi a pespontar quando a minha mãe me ensinou a fazer flores. Não, não se aprende a pespontar quando se faz flores. Essas apenas me lembram a minha mãe que me ensinou a pespontar os arranjos que a vida nos dá.



sexta-feira, 12 de novembro de 2010

UMA CASCA DE NOZ... (DE NÓS?)


PRESENTE QUE GANHEI DO MR. CHAPELEIRO

  

Obrigada, meu querido, por tão lindo presente, feito especialmente para mim!


(Já não toco mais o Atlântico, mas as palavras ficaram eternas em velhos arquivos)


UMA CASCA DE NOZ... (DE NÓS?)

Casca de noz
Vaga nas águas mornas
Do Atlântico
Sou eu
Vocês podem ver?
Não, sou singela demais
Pequena e trêmula embarcação
Que vaga à deriva
Sem nação
Você pode ver?
Não, apenas as crianças
Levadas pelas mãos
Tão puras e libertas
Elas me virão
Lá do alto
Do doce algodão


Veio a criança
De cachos loiros
Em seus dedos
Meu destino
Brincando de almirante
Me fazendo de amante
Revirou minha casquinha
Mudou minha rota
Naufragou minha frota


E fiquei ainda mais só


Casca de noz
A vagar
Livre por entre as águas
Perdida e achada
Ora em águas quentes
E salgadas
Ora em águas frias chuvadas
Que desaguam
Revirada
Pelos ventos
Tão mornos
Tão mansos
Saídos dos lábios da criança
Que ri
Se delicia
Me ama


E o oceano já não é assim tão só...

(Suzana Guimarães)