Ilustração por

Sobre contos e pespontos

Entre um conto e outro, alguns pespontos. Preciso dos pespontos para manter o principal equilibrado e firme. Preciso todo o tempo... Aprendi a pespontar quando a minha mãe me ensinou a fazer flores. Não, não se aprende a pespontar quando se faz flores. Essas apenas me lembram a minha mãe que me ensinou a pespontar os arranjos que a vida nos dá.



terça-feira, 2 de novembro de 2010

ESTRANGEIRA LÍNGUA

fotografia, por SCG


As roupas foram saindo de dentro pra fora
Primeiro as menores
Após um tempo curto e roto
Ele alcançou as maiores

As palavras foram saindo de dentro pra fora
de forma benigna
A língua batia diferente
no céu, entre dentes
na boca que ela abria

Os olhos foram mirando de dentro pra fora
um pouco dele
um pouco dela

A bata saiu por último
Antes do bater dos joelhos dele no chão
Antes do som que aquela língua emitia
Antes do entorpecimento da razão

Ele olhava a língua
(que) enrolava-se por dentro, entre risos dela
Ele contemplava
mais que um continente
mais que um rio
um mundo
mais que duas terras

que se encontraram de fora pra dentro

(LILY, por Suzana Guimarães)


 
 
NOTA: Voltarei a escrever aqui, no CONTOS DE LILY. Aqui, as palavras, os textos, a intenção, as emoções, tudo, tudo mais tranquilo. LILY é leve, escreve pouco e não quer saber de cutucar suas próprias feridas e as alheias. Em 2011, com certeza, voltarei a escrever no Blog O MEDO DE SUZANA. Voltarei descansada, refeita, amadurecida... cheia de tapas e beijos. Suzana