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Sobre contos e pespontos

Entre um conto e outro, alguns pespontos. Preciso dos pespontos para manter o principal equilibrado e firme. Preciso todo o tempo... Aprendi a pespontar quando a minha mãe me ensinou a fazer flores. Não, não se aprende a pespontar quando se faz flores. Essas apenas me lembram a minha mãe que me ensinou a pespontar os arranjos que a vida nos dá.



quinta-feira, 19 de agosto de 2010

ALTÍSSIMOS


                                
                                 Para Lily & Suzana




Eras tão grande, tão grande
Que todo o meu imenso amor cabia,
Livre e saltitante, aos pés desnudos
De teu pequenino corpo
Solar,
Centro de minucioso universo de cores
E brilhos femininos,
A atrair-me e lançar-me em órbita
Majestosa, jupteriana – a mim,
Justo a mim, indistinto grão
De tua cósmica poeira.


Então, Cinderela, achaste
Aqueles antigos sapatos...
Os tais que em boa hora perderas.
E os malditos, altíssimos
Como deuses,
Recriaram-te, em barro borrado,
Quase do meu tamanhão
Físico, cavalgaduramente físico,
Porém nada, nadinha
Comparável à densa infinidade
De estrelas, cometas e luas
Que agora se faziam, em debandada,
Gélidos, sorumbáticos
Batráquios... alados
Por tua frívola arrogância de somar
Uma pitadinha ou duas, talvez três
De centímetros de não ser.

                                                Texto de Teophanio Lambroso



Tudo começou quando visitei o DS e me deparei com o texto sobre a Carmen Miranda, que achei ótimo. Eu ria o tempo todo, lembrando-me de todo aquele pomar, tantas frutas na cabeça... e aí fui comentar (as respostas aos comentários me fizeram rir mais ainda).

E, ao comentar, me lembrei dos saltos da Carmen, aquela escada que ela subia para poder parecer mais alta. Escrevi ao Teopha que, eu achava uma falta de consideração dela para com ela mesma, querer ser uma coisa que não era. Sou baixinha (o Teopha adorou saber disso), uso salto alto que não chega a ser escada (o Teopha odiou saber disso) apenas porque algumas roupas pedem e também porque acho sexy, mas não os uso nunca para parecer maior. Ele disse que queria escrever sobre isso e dedicaria a mim. Fui lá, li e adorei. O texto dele sobre a Carmen é ótimo, que me perdoem os admiradores dela de plantão.


Obrigada, Teopha, pelo texto, por sempre me fazer rir muito e pelos lindíssimos sapatos que ganhei. Gostei tanto que fiquei sem saber qual escolher para a fotografia, daí usei um pé   de cada.                                                                                              
                       
                                                                       Suzana

 
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