Ilustração por

Sobre contos e pespontos

Entre um conto e outro, alguns pespontos. Preciso dos pespontos para manter o principal equilibrado e firme. Preciso todo o tempo... Aprendi a pespontar quando a minha mãe me ensinou a fazer flores. Não, não se aprende a pespontar quando se faz flores. Essas apenas me lembram a minha mãe que me ensinou a pespontar os arranjos que a vida nos dá.



quinta-feira, 8 de julho de 2010

ESTOU INDO PRA LÁ

                                 Suzana C. Guimarães


Estou indo pra lá

Você quer alguma coisa?

(Por que o corpo sempre estremece?)

Quero sim.

Quero que você me traga de lá e me leve daqui.

Não quero farinha, nada de preço

Muito menos rapadura.

Traga-me daquela praça

Traga-me daquelas ruas de vida dura

O que mando não tem peso

Você leva minha pele

Uma raspa

Um pouco do meu cheiro

E o som do meu riso.

Entrega nos prados, naquela rua sem preço

Onde ela estará

Não estou cá, nem lá

Estou nela,

Estou na vela

Acesa eu

Acesa ela

Eternas.



Espera!

Eu ainda não sei.

Está na ponta da língua

Espera, não consigo pensar...

O que é que eu quero de lá?